Drogas: descriminalizar ou punir o uso?

Por Cléber Sérgio de Seixas

Em um dos trechos do filme Tropa de Elite 1, pessoas de classe média participam de uma passeata pela paz quando surge o personagem Mathias, interpretado pelo ator André Ramiro, e agride um dos manifestantes após reconhecê-lo como um usuário de drogas. Em off o personagem vivido pelo ator Wagner Moura diz o seguinte: “Quando vejo passeata contra a violência, parceiro, eu tenho vontade de sair metendo a porrada.”

A ira do Capitão Nascimento com a passeata é em função da hipocrisia que, no filme, ela esconde. Os mesmos jovens que antes usavam a droga numa das comunidades retratadas no filme, tomam o asfalto para fazer exortações em favor da paz; a mesma paz que eles confrontaram ao alimentar, com o consumo de drogas, a teia de crimes decorrente do tráfico.

A cena suscita a reflexão de que o sustentáculo do tráfico de drogas se encontra fora das comunidades, e que no “asfalto” a repressão aos usuários é mais branda do que nas favelas e nos redutos habitados por gente de baixa renda.

Um exemplo disso foi dado no Jornal da Record que foi ao ar no dia 21 de março. Uma reportagem mostrou a venda e o consumo de drogas bem no centro de Belo Horizonte, no meio da rua, num local cujo entorno abriga várias faculdades e colégios freqüentados por jovens de classe média. Nas imagens vêem-se jovens com mochilas e cadernos consumindo drogas, indicando que pode tratar-se de estudantes. O mais surpreendente é que a poucos metros dali há uma companhia da Polícia Militar. Assim sendo, fica a pergunta: se fosse numa favela já não teria havido por parte da PM mineira ações mais enérgicas para coibir o tráfico?

Acabar com os usuários de drogas é algo quase impossível, haja vista que as drogas são usadas pela humanidade há séculos, e o consumo tem raízes culturais e psicossociais, cuja análise deve ser deixada a cargo de psicólogos, sociólogos, antropólogos e afins.

Uma coisa é certa: enquanto existirem usuários, existirá tráfico de drogas. Assim sendo, vem à tona as seguintes questões: o usuário deve ser penalizado tanto quanto o traficante? As drogas devem ser descriminalizadas?

Abaixo, reproduzo a matéria veiculada pelo Jornal da Record.


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Comentários

Regina Abrahão disse…
Olá, Cléber! Gostei de teu texto, sempre é bom ler alguém que desafie os temas ditos tabús. Casualmente, faz menos de meia hora, escrevi sobre o comercial de Neosaldina.
Então aumento as perguntas: Acabar com a droga? Qual delas? Álcool, tabaco, drogas legais, ou somente com as ilegais? E estas, são todas iguais?
Te deixo meu end: www.prosarepoesia.blogspot.com
Continue desafiando!



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