Por Sidnei Martins *
Nesta quarta-feira, dia 30 de maio, a Comissão dos Direitos Humanos da
Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ouviu moradores da Vila Braúnas,
localizada na região de Justinópolis, e
representantes da prefeitura de Ribeirão das Neves, Defensoria Pública do Estado
de Minas Gerais e deputados estaduais sobre as irregularidades no processo de
reintegração de posse que demoliu 18 casas da vila em 10 de fevereiro de 2012.
As denúncias apresentadas na reunião apontam para ilegalidade na ação movida
pela prefeitura da cidade, que teria contrariado o laudo apresentado pela Defesa
Civil. O Poder Executivo local alega que a área trazia risco à
população.
De acordo com o representante dos moradores da Vila Braúnas, Vicente Mendonça
da Costa, a prefeitura não procurou as famílias para orientá-las sobre os
riscos. Ele explica que o laudo feito pela Defesa Civil diz que a construção de
muro de contenção seria o suficiente para solucionar o problema. Sobre o laudo,
a moradora Lilian da Costa Silva afirmou que, em nenhum momento, o documento
sugere a demolição das casas. “Foi uma desocupação arbitrária, feita com
truculência e contra famílias que vivem no local há mais de 30 anos”,
denunciou.
O advogado dos moradores, Joviano Gabriel Maia, aponta diversas
irregularidades no trâmite da ação demolitória movida pela prefeitura. Segundo
ele, o laudo é genérico, foram derrubadas casas de pessoas que não constavam no
processo e não houve formalização de indenização ou bolsa moradia para as 18
famílias retiradas de suas residências. Em sua fala, ele denunciou, ainda, a
participação das Cerâmicas Braúnas no processo. “Os tratores que fizeram as
demolições eram abastecidos pela empresa. Fica claro que existe um conluio da
prefeitura e do Poder Judiciário local”, acusou.

