segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A mídia escrachada

Por Jeferson Malaguti Soares *

Ética é um conjunto de valores que nos ensina ou nos força a ter limites. Então, qual é o conceito de ética para a mídia golpista brasileira, que insiste em não ter limites quando a finalidade é expor à execração pública os governos populares de Lula e Dilma? Ao publicar mentiras e criar factóides todos os dias buscando derrubar um governo legitimamente eleito pelo povo, onde está sua ética?

Democracia não é apenas permitir eleições.  É, principalmente, permitir que o povo conquiste sua liberdade. Aqui em nosso país os jornalistas têm absoluta e total liberdade. Liberdade para mentir, inventar e urdir golpes. É livre a imprensa para, inclusive, tentar derrubar a democracia, que é o que exatamente parece querer.

A experiência dramática de 21 anos de ditadura militar mostrou mais do que nunca como a liberdade de imprensa não pode ser atacada sem grave risco para a estabilidade das instituições democráticas. Essa importante conquista da mídia deve ter apenas como limite a responsabilidade profissional do jornalista, definida em lei e democraticamente votada pelo Congresso. Mas os jornalistas brasileiros estão imunes, apesar de suas atitudes delituosas, pois não há leis que os regulem. E quando as encontram no Congresso nacional, parlamentares de moral diminuta aderem ao espírito corporativo e criminoso de nossa mídia, ensejando benesses escusas no futuro...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Preso não é mercadoria, cadeia não é negócio!

O que o governo de Minas Gerais não disse e a imprensa não quis ouvir sobre a inauguração de presídio privatizado em Ribeirão das Neves.


Por Rosely Carlos Augusto e Michel Marie Le Ven *

Nessa semana (14 a 18/01/13) o governo de Minas Gerais abriu as portas da primeira unidade de mais um complexo penitenciário em Ribeirão das Neves para a imprensa. Os jornais noticiaram, repetidamente, as inovações tecnológicas de segurança e as instalações físicas do que consideram a maior inovação do sistema penitenciário na América Latina: privatizar o sistema, ou seja, abrir mais um negócio para os capitalistas. No caso, empresas (do ramo da construção civil) dos estados do Paraná e São Paulo. 

Mas o que o Governador e o Secretário de Defesa Social não disseram é que na contabilidade capitalista não existe filantropia, não existe trabalho ou negócio sem lucro. De onde vão tirar o lucro? Primeiro, a fonte anunciada de investimento foi o BNDES. Segundo, elevaram o preço dos custos por preso para R$2.700,00 mensais (preço de inauguração!). E não tem mágica para tirar lucro. Para tal, os salários deverão aos poucos serem corroídos e rebaixados, a qualidade dos serviços deverá cair para a segunda ou terceira categorias, as promessas dos serviços de assistência espaçados e rebaixados. Essa história todos nós conhecemos. No final, quem “paga o pato” é a sociedade e, no caso, diretamente, o preso. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O direito de matar


O Presidente Barack Obama se nega a informar em que dispositivo da Constituição se ampara para ordenar o assassinato de cidadãos norte-americanos. Seu concidadão, Vicki Divoll, ex-assessor do Senado para as questões de segurança e ex-consultor jurídico da CIA, em título de artigo publicado ontem pela edição online do New York Times, faz-lhe a pergunta direta: Presidente, quem lhe disse que o Senhor pode matar americanos?

O autor cita três casos conhecidos de cidadãos americanos assassinados no Exterior, sob a ordem direta de Obama: Anwar al-Awlaki, um clérigo muçulmano, nascido no Novo México; Samir Khan, naturalizado norte-americano e Abdulrahman al-Awlaki, de 16 anos, natural do Colorado, sobrinho do clérigo Anwar. Podem argumentar que todos têm nomes árabes. Árabes são o nome e o sobrenome também do Presidente. Esses são os casos conhecidos, mas há outros, certamente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A uma jovem prefeita

 Este blogueiro (à esquerda, pra variar) e a prefeita eleita de Ribeirão das Neves, Daniela Corrêa em evento organizado pela Rede Nós Amamos Neves


Por Cléber Sérgio de Seixas *

"Deixem-me dizer que creio firmemente que a única coisa que devemos temer é ao próprio medo".
 Franklin Delano Roosevelt


Há uma história apócrifa sobre o presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt que diz que quando era visitado por representantes de movimentos sociais ou sindicatos - que lhe procuravam para propor a incorporação de alguma política de cunho progressista no New Deal -, ele os recebia, ouvia o que diziam e finalmente respondia: "Agora vão lá para fora e obriguem-me a fazê-lo". Roosevelt, o trigésimo segundo presidente norte-americano, fora o responsável pela recuperação dos Estados Unidos dos efeitos da crise econômica de 1929. Ainda hoje é tido como um dos maiores presidentes daquele país.

Acredito que o exemplo do falecido presidente estadunidense possa servir de norte ao governo da prefeita eleita de Ribeirão das Neves, Daniela Corrêa (PT), no que tange à governabilidade e à aprovação de medidas que façam desse sofrido município um lugar melhor para se viver.

Desde tempos imemoriais, grassam em Ribeirão das Neves o compadrio, o nepotismo e a manutenção de currais eleitorais capitaneados por “coronéis” sempre dispostos a transformar o público em privado, não sendo raros os casos de voto de cabresto. Foram muitos os que sobejamente se fartaram às custas do erário público, mas foram e têm sido poucos os punidos por enriquecer às custas da miséria e sofrimento do povo nevense. A corrupção e a improbidade no trato da coisa pública (res publica) constituem alguns dos motivos de Ribeirão das Neves ser a cidade com o mais baixo IDH dentre as da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e uma das mais pobres de Minas Gerais.

O mundo do pós-Apocalipse


Por Cléber Sérgio de Seixas

O Armagedom não se deu em dezembro passado e estamos agora no pós-pseudo-fim do mundo. Melhor que fazer previsões messiânicas é debruçar-se sobre o presente, analisá-lo e buscar nele os indícios do que poderia ocorrer no futuro.

É o que fazem Tariq Ali e Noam Chomsky nessa entrevista que dão ao programa O Mundo Amanhã, apresentado pelo jornalista e ciberativista Julian Assange. Fundador do Wikileaks, Assange auto-exilou-se na embaixada equatoriana em Londres após ter sido condenado por um suposto abuso sexual e ameaçado de ser extraditado para os EUA, onde seria submetido a prisão perpétua por suas atividades à frente do Wikileaks.

Chomsky é filósofo, linguista, professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e  um dos maiores críticos da política externa estadunidense.

Tariq Ali é um escritor e ativista paquistanês que faz críticas severas ao neoliberalismo e à política expansionista norte-americana. Foi um dos signatários do Manifesto de Porto Alegre, documento aprovado durante o Fórum Social Mundial de 2005 realizado na capital gaúcha. 


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Balanço anual do macro: estamos indo de mal a pior


Por Leonardo Boff  *

A realidade mundial é complexa. É impossível fazer um balanço unitário. Tentarei fazer um atinente à macro realidade e outro à micro. Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização, organizada na exploração ilimitada da natureza, na acumulação também ilimitada e na consequente criação de uma dupla injustiça: a social com as perversas desigualdades em nível mundial e a ecológica com a desestruturação da rede da vida que garante a nossa subsistência e se, ainda tomarmos como ponto de aferição, a COP 18 realizada neste final de ano em Doha no Qatar sobre o aquecimento global, podemos, sem exagero dizer: estamos indo de mal a pior. A seguir este caminho encontraremos lá na frente, e não demorará muito, um "abismo ecológico”.

Até agora não se tomaram as medidas necessárias para mudar o curso das coisas. A economia especulativa continua a florescer, os mercados cada vez mais competitivos –o que equivale dizer – cada vez menos regulados e o alarme ecológico corporificado no aquecimento global posto praticamente de lado. Em Doha só faltou dar a extrema-unção ao Tratado de Kyoto. E por ironia se diz na primeira página do documento final que nada resolveu, pois protelou tudo para 2015: "a mudança climática representa uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e esse problema precisa ser urgentemente enfrentado por todos os países”. E não está sendo enfrentado. Como nos tempos de Noé, continuamos a comer, a beber e a arrumar as mesas do Titanic afundando, ouvindo ainda música. A Casa está pegando fogo e mentimos aos outros que não é nada.