terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Fotos e Fatos - o fotógrafo de Auschwitz


Por Cléber Sérgio de Seixas

Há exatos 70 anos o exército soviético libertava os campos de concentração de Auschwitz, sul da Polônia. Ali foram exterminados, aproximadamente, 1,3 milhões de seres humanos, judeus em sua maioria. 

O polonês Wilhelm Brasse foi capturado pelos nazistas em 1940 e enviado a Auschwitz. Sua primeira função no campo foi arrastar corpos das câmaras de gás para serem incinerados. Depois que seus captores descobriram que ele era fotógrafo profissional, foi encarregado de tirar retratos de prisioneiros para os arquivos internos do campo, além de registrar as visitas de oficiais de alto escalão e as macabras experiências médicas conduzidas por médicos nazistas. 

Nos cinco anos em que permaneceu no campo, tirou cerca de 50.000 fotos. Sua história é contada no documentário polonês The Portrecista (2005).

Nesta foto, Brasse retrata crianças de Auschwitz que foram submetidas aos experimentos médicos de Josef Mengele, também conhecido como o "anjo da morte".

Brasil irreal

Por Jeferson Malaguti Soares *

A imprensa brasileira está unida por detrás da realidade de nosso país. Não informa, deforma. Finge não ver o que todos estamos vendo. Mente, inventa, denigre, vilipendia, manipula a serviço de interesses criminosos de lesa-pátria. O universo midiático brasileiro retrata um Brasil irreal, transmite desinformações, trabalha e torce contra o país. Se estamos crescendo, nega. Se mais empregos são gerados, desconhece. Inflação controlada é ficção. Além disso, quer nos convencer de que a corrupção começou com o PT no poder, quando sabemos que o que começou com Lula, e Dilma deu continuidade, foi a limpeza.

Sebastião Nery, jornalista político, cultura vastíssima, observador e personagem da cena política brasileira há mais de 60 anos, engrandeceu a profissão que abraçou ainda muito jovem. Hoje, do alto de seus 84 anos, estilo peculiar que lhe rendeu processos, prisões, cassação de direitos políticos e perseguições, dá lição de jornalismo ético e respeito à história dos fatos. Dos seus quase vinte livros sobre política, tiro constantes lições, atualíssimas, às vezes polêmicas, mas sem sombra de dúvidas, de um jornalismo aprumado, correto, limpo e ético. 

É por Nery que ficamos sabendo que o golpe de 64 nada teve de repressão a um possível comunismo que poderia se instalar no país. O motivo real era a candidatura de JK em 65. Não queriam Juscelino novamente na presidência - se fosse candidato, certamente ganharia. E por que ele não poderia ser candidato em 65? Porque ele tinha cometido o pecado mortal dos povos submissos à obediência cega às ordens do Fundo Monetário Internacional - FMI, o verdadeiro leão de chácara dos EUA e do sistema financeiro internacional. Em 1959, JK, presidente, rompeu com o Fundo porque se negou a render-se às suas exigências que consistiam, entre outras medidas, em nos impor uma reforma cambial que facilitava a importação dos bens de capital ultrapassados dos EUA, fixar preços mais baixos para o nosso café, instituir um câmbio livre para todas as importações, incentivo ao comércio exterior, extinguir subsídios às aquisições de petróleo, trigo, papel e fertilizantes, e reduzir direitos trabalhistas. Os jornais desencadearam, então, uma campanha de descrédito da economia brasileira. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Terrorismo, fundamentalismo e moral religiosa

Os últimos momentos do policial Ahmed Merabet

Por Cléber Sérgio de Seixas

É possível que alguém que professa determinada crença religiosa, e cujo comportamento se fundamenta em regras oriundas da mesma, possa cometer atos violentos em defesa de sua fé? É possível que alguém venha a massacrar, mutilar e assassinar e depois tentar justificar tais ações em nome de uma religião, de uma divindade ou de um profeta? Das Cruzadas à Inquisição, do Massacre da Noite de São Bartolomeu à conversão forçada de índios ao cristianismo no Novo Mundo, do pano de fundo religioso da limpeza étnica israelense sobre a população palestina às matanças do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, a História é recheada de fatos e acontecimentos que provam que sim.

Antes de se prosseguir, é necessário definir fundamentalismo. Boff (2002, p. 25) assim o define:

“Não é uma doutrina. Mas uma forma de interpretar e viver a doutrina. É assumir a letra das doutrinas e normas sem cuidar de seu espírito e de sua inserção no processo sempre cambiante da história, que obriga a contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter sua verdade essencial. Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista”. 

Boff (2002) também aponta as modalidades de fundamentalismo hora em voga: o fundamentalismo protestante, o católico, o islâmico, o neoliberal e o técnico-científico. O autor indaga se não inauguramos uma guerra de fundamentalismos. No que tange ao fundamentalismo islâmico, os últimos atentados terroristas em Paris parecem indicar que sim.

O ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, perpetrado por extremistas, trouxe novamente à baila a questão do fundamentalismo de algumas alas do Islã. Há que se condenar o assassinato dos profissionais do periódico e dos três policiais, dentre eles o muçulmano Ahmed Merabet, da mesma forma que se deve desdenhar a instrumentalização de viés político-eleitoral que a direita francesa tem feito com o funesto acontecimento. Deve-se, também, questionar as motivações de cariz religioso dos terroristas, implícitas no fato de os irmãos Cherif e Said Kouachi terem gritado “Alá é grande" e "O profeta foi vingado!” durante o ataque.