terça-feira, 26 de março de 2013

Presidente FHC, PT não governa para quem o senhor governou


FHC posando de marionete de Clinton

Ilustríssimo senhor doutor Fernando Henrique Cardoso,

Quem lhe escreve é um cidadão comum, sem filiação político-partidária e que ainda guarda na memória o sofrimento pelo qual passou quando o senhor – vá lá – “governou” o Brasil. Aquela foi uma época de muito sofrimento para todos, presidente.

Eis por que leio no jornal O Estado de São Paulo, estupefato, que o senhor declarou, na segunda-feira (25.3), textualmente, que “Essa gente não sabe governar o país”.

Por óbvio, o senhor se referiu ao Partido dos Trabalhadores, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff, quem, desde os primeiros momentos da posse, brindou-o com cortesias que, a meu ver, foram exageradas e que, agora, o senhor retribui dessa forma.

Até entendo que, aos 80 e tantos anos, tendo deixado uma obra administrativa que a maioria absoluta dos brasileiros repudia até hoje – como mostram as sucessivas eleições que o seu partido perdeu –, o senhor esteja amargurado.

Contudo, presidente FHC, peço que entenda que o povo brasileiro – que ontem, quando lhe dava seus votos, o senhor dizia sábio – não o odeia. Apenas rejeita a sua forma de governar.

O senhor diz que o PT não sabe governar. O que as urnas dizem é que o PT realmente não sabe governar, mas não é para os milhões que o elegeram, reelegeram e re-reelegeram. O PT não sabe governar para os que foram priorizados pelo seu governo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Sexo, religião, medievalidade e papado

Por Jéferson Malaguti Soares

Desde os primórdios da humanidade, sexo e religião estiveram próximos um do outro. Muitos cultos pagãos incluíam em seus rituais atos sexuais explícitos. Os gregos adoravam Príapo, o deus do pênis ereto, e seu equivalente romano era o deus Líber, de cujo nome originaram termos como libertinagem, libertino, libidinoso, todos de alguma forma ligados à prática sexual.

Mesmo depois da difusão do cristianismo entre os povos, a crença se defrontou com outra religião, muito mais sensual – o Islã. A idéia do paraíso muçulmano privilegia momentos eternos de prazer onde jovens de pureza virginal e beleza resplandecente acariciam até o mais humilde dos crentes. Já os cristãos esperam do paraíso arquitetura celestial, salmos cantados, sermões e o sol brilhando eternamente.  Nada de vestais encantadoras. 

A história da igreja cristã, no entanto, não é tão sóbria como faz parecer. Papas licenciosos, cardeais libidinosos, padres libertinos povoam a Igreja de Cristo desde Pedro até os dias atuais. Sodomia, pedofilia e pederastia faziam e ainda hoje fazem parte do cardápio diário de parte do clero.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O novo Papa e o velho fundamentalismo

Pio XII e Hitler


Por Cléber Sérgio de Seixas

Como assinalou o jornalista Luiz Carlos Azenha, o Papa escolhido terá a dupla tarefa de "frear os evangélicos e a esquerda na América Latina". Jorge Mario Bergoglio está para os evangélicos e para as esquerdas latino-americanas assim como Karol Wojtyla estava para o comunismo polonês. Um homem forte, que supostamente fora conivente com um regime forte – uma ditadura, para ser mais exato –, seria o ideal para contrapor-se aos regimes de esquerda que pululam na América ao sul do Rio Bravo. Seria também o homem certo para combater o crescimento das igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais, que com seus pastores midiáticos, cuja pregação centra-se no evangelho da prosperidade, dia-a-dia arranca fiéis das fileiras do catolicismo. A esquerda dentro da Igreja e sua “opção pelos pobres” também poderia ser alvo das investidas do novo Papa.

Engana-se quem pensa que o Sumo Pontífice será apenas o pastor do rebanho católico mundial. A História revela que os papas também agiam na esfera política e, salvo raríssimas exceções, sempre se posicionaram de forma conservadora ao lado das classes dominantes. Vide o exemplo de Pio XII, cuja omissão à perseguição aos judeus empreendida pelos nazistas lhe fez merecer de John Cornwell a alcunha de “O Papa de Hitler” em livro homônimo. É bom lembrar que no Brasil da primeira metade dos anos 60 a cúpula católica fora francamente contrária aos rumos progressistas tomados pelo governo Jango, tendo organizado, sob a batuta do padre irlandês Patrick Peyton, a famigerada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, e louvado o golpe de 01 de abril de 64. O objetivo maior era deter o “perigo vermelho” supostamente aliado a Goulart. Só após o endurecimento do regime - quando jovens filhos de “boas mães católicas” começaram a ser trucidados nos porões da ditadura - e após os posicionamentos em defesa dos direitos humanos de alguns clérigos e alas da Igreja, com foi o caso dos frades dominicanos e de Dom Hélder Câmara – a Igreja assumiu uma postura crítica aos generais.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sem Chávez

 Multidões tomam as ruas na Venezuela para prantear o líder morto

Leandro Fortes via Facebook


Não tenho dúvidas de que a História irá fazer bom juízo de Hugo Chávez, o comandante de uma revolução pacífica e democrática, a desmembrar e expor em praça pública o complexo e cruel pacto de permanência das elites locais. Antes de Chávez, a Venezuela não existia no mapa geopolítico mundial, parecia ser anexo na América do Sul, um país-satélite dos Estados Unidos, a ponto de amar mais o beisebol que o futebol. Uma elite que tinha Miami como um condomínio de luxo, ao qual voltavam às sextas-feiras, depois do trabalho, empresários, políticos, cidadãos.

Minha fé na justiça da História reside não só no argumento da força popular renascida entre a massa, essa palavra endurecida, e um governante mestiço, meio índio, meio nada. Essa “ninguendade”, sobre a qual se debruçou Darcy Ribeiro, a explicar o significado filosófico das misturas étnicas de base lusitana da qual descendemos quase todos nós, brasileiros, assim como do matiz hispânico vem a “nadiedad” de Chávez e da imensa nação de esquecidos que o elegeu e o manteve firme no poder, até que, morto o comandante, se enrolaram na bandeira venezuelana e foram chorar, aos milhões, em todas as cidades do país.

terça-feira, 5 de março de 2013

Chávez segundo o Jornal da Record

Cléber Sérgio de Seixas

Os governos populares da América Latina perderam hoje um importante personagem. Faleceu Hugo Rafael Chávez Frías, presidente da Venezuela. 

Hugo Chávez era um político controverso, às vezes populista, às vezes popular, amado por muitos, odiado por alguns, sempre foi alvo da ira da burguesia venezuelana, a mesma que tentou apeá-lo do poder em 2002 sob as bênçãos de Washington.

Não se pode, no entanto, retirar de Chávez os méritos da inclusão social promovida por seus 14 anos no poder e sua coragem ao enfrentar as forças imperialistas mais poderosas da História, que ainda cobram lugar na geopolítica ao sul do Rio Bravo.

Num futuro próximo, muitos historiadores e analistas políticos analisarão o legado de Chávez para a política latino-americana. Por hora, ficaremos com os editoriais hidrófobos da direita nativa e de alhures que tratarão de retratá-lo como um demônio, tal como fizeram e fazem com todos os ícones caros à esquerda.

O Jornal da Record fez hoje um importante relato da Era Chávez que é importante assistir por sua abordagem equilibrada e despida de preconceitos.

Abaixo o vídeo.




domingo, 3 de março de 2013

Leia "A Outra História do Mensalão"



Cléber Sérgio de Seixas

Encorajo os leitores deste blog a ler "A Outra História do Mensalão", livro do jornalista Paulo Moreira Leite que conta outra versão do assim chamado mensalão, como ficou conhecida a Ação Penal 470. 

Por ocasião do julgamento do mensalão, o STF, valendo-se da teoria do domínio funcional do fato, de autoria do jurista alemão Claus Roxin, mas distorcendo-a em favor dos interesses de setores conservadores da política nacional insatisfeitos com o progressismo e a inclusão social promovidos pelos governos Lula e Dilma, e baseando-se praticamente na denúncia de apenas uma testemunha (o deputado Roberto Jefferson), jogou por terra o princípio de presunção de inocência, ou seja, quando a dúvida favorece o réu (in dubio pro reo). 

Assim, o julgamento da Ação Penal 470 vai passando à História com um dos maiores equívocos do Judiciário, uma sentença judicial proferida com a faca midiática no pescoço da mais alta instância da justiça brasileira, e que se configura num dos episódios mais paradigmáticos de um processo de judicialização da política. 

Por esse e outros motivos, "A Outra História do Mensalão" é leitura indispensável nesses tempos politicamente nebulosos.

Para mais detalhes, clique na figura acima.

Agenda - Mulheres na luta



Fonte: Blog da Rede Nós Amamos Neves