domingo, 10 de abril de 2016

Impeachment e instabilidade

Por Cléber Sérgio de Seixas

O atual cenário político nacional é, para dizer o mínimo, preocupante. Às vésperas da votação do impeachment da presidenta Dilma Roussef algumas considerações devem ser feitas acerca da legalidade do impedimento da mandatária da nação e das intenções recônditas daqueles que clamam pelo seu afastamento.

Enquanto algumas vivandeiras tomavam as ruas clamando por uma “intervenção militar constitucional” - seja qual for o sentido disto -, a caserna esclarecia que não é seu papel imiscuir-se em assuntos jurídicos e políticos. Em 18 de março último, durante um simpósio jurídico realizado no Comando Militar da Amazônia, o Comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que achava lamentável que num país democrático como o Brasil as pessoas só encontrem nas Forças Armadas uma possibilidade de solução da crise. O militar ponderou, ainda, “que hoje o Brasil tem instituições sólidas e amadurecidas, com capacidade de encontrar os caminhos para a saída dessa crise”. Tais declarações de Bôas derivam de seu conhecimento acerca da natureza dos golpes hodiernos. Ele sabe que hoje mídia e judiciário fazem o papel outrora reservado a tanques e fuzis. 

De fato, nesses tempos modernos a burguesia nativa pode prescindir das quarteladas para manter intacto seu status quo, haja vista que os golpes de Estado, atualmente, são de outra natureza e com outros protagonistas.