quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Keynes e Friedman no plebiscito de 2014

Evolução das classes sociais conforme a PNAD 2010/FGV

Por Cléber Sérgio de Seixas

No próximo dia 26 o eleitor brasileiro vai de novo às urnas para participar de uma eleição de caráter plebiscitário. Novamente, como vem sendo desde 1994, as eleições presidenciais estão polarizadas entre dois modelos sócio-econômicos quase diametralmente opostos, capitaneados por dois partidos. 

De um lado o PT, cujas gestões Lula e Dilma promoveram políticas que resultaram, por exemplo, na mobilidade social de milhões de brasileiros e na saída do país do mapa mundial da fome. Lula e Dilma conseguiram articular estruturalmente crescimento econômico e políticas de distribuição de renda. Depois de 21 anos de uma ditadura militar, promotora de políticas favoráveis aos grandes capitais nacionais e estrangeiros, e após 12 anos de governos neoliberais, que recomendaram um Estado mínimo, defenderam as doutrinas liberais de mercado e praticaram políticas favoráveis ao capital financeiro, os governos petistas conseguiram estabelecer no país uma agenda pós-neoliberal, com um projeto societário que possibilitou a mobilidade social de milhões de brasileiros. Nesses 11 anos, “o país incorporou 16 milhões de famílias ao mercado de consumo moderno por conta das políticas sociais e de elevação do salário-mínimo que habilitam esses novos cidadãos ao crédito” (BELLUZZO, 2013, p.105). 

Sob o governo Lula, o Brasil passou a experimentar o crescimento em novos moldes. Outrora o modelo de crescimento brasileiro era concentrador, ou seja, quanto mais a renda nacional crescia, mais se concentrava em mãos de poucos. Este modelo tinha suas origens na teoria do bolo do economista Antônio Delfim Netto, segundo a qual o bolo da riqueza brasileira deveria crescer para só então ser repartido. O fato é que durante a ditadura militar o bolo cresceu, mas só os abastados conheceram-lhe o sabor. 

Num contexto de hiperinflação sob controle, o Brasil de Lula e Dilma elevou o ritmo de crescimento de renda da parcela mais pobre de sua população. Isso se deu, principalmente, com a ampliação das políticas de transferência de renda direta e com aumentos reais do salário-mínimo, redundando no aumento do poder de compra das camadas de menor poder aquisitivo. Aliada a isso, a expansão e facilitação do crédito estimulou a dinamização do mercado interno de consumo de massa. Foi assim que as camadas de menor renda puderam adquirir bens duráveis como geladeira, máquina de lavar roupa, forno de micro-ondas, telefone celular, automóvel e motocicleta. Com o aumento do consumo houve um estímulo ao investimento. O dinamismo do mercado de consumo interno fez com que grandes empresas nacionais, bem como grandes grupos estrangeiros, redescobrissem as regiões mais pobres, incluindo-as em seus planos de expansão dos negócios. Isso explica a instalação de grandes redes de supermercado e shopping centers em cidades de pequeno e médio porte e no interior do país. É a chamada inclusão pelo consumo. Programas como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) buscam ampliar os investimentos e a infraestrutura econômica e social. Um dos componentes mais importantes do PAC é o Minha Casa Minha Vida, programa que busca enfrentar o elevado déficit habitacional das famílias de renda mais baixa e ao mesmo tempo beneficiar o setor de construção civil, um dos que mais emprega no país.