Um discurso de formatura


Por Cléber Sérgio de Seixas

Ontem foi um dia muito especial para este blogueiro. O dia 24/08/2013 marca a minha colação de grau como bacharel em Serviço Social. Para mim, filho de um pintor de automóveis e de uma cabeleireira, trata-se de uma grande conquista e um importante passo em minha trajetória intelectual e profissional. Na qualidade de orador da turma, reproduzo abaixo o discurso de minha autoria.

É com muito orgulho que represento aqui a turma de formandos de Serviço Social do segundo semestre de 2013 e em nome dela passo a discursar.

Aos que nessa noite vieram nos prestigiar - familiares, amigos, docentes e autoridades - damos as boas vindas e agradecemos a presença. Salientamos que esse momento é muito especial para nós e, acreditamos, é mais ainda para aqueles que, ostensiva ou indiretamente, estiveram conosco nessa jornada de quatro anos, oferecendo-nos apoio, exortações e a consolação de um ombro amigo. 

Aludindo ao profeta bíblico Zacarias, asseveramos: ninguém despreze o dia dos humildes começos, pois grandes edificações às vezes começam com singelos alicerces. Lançamos aqui, nessa cerimônia, as bases do edifício de nossa formação, certos de que há ainda muitas paredes a serem levantadas, pois a construção da identidade e competência profissionais é um esforço diário, um fazer constante.

Nós, que nessa ocasião deixamos a condição de estudantes de Serviço Social para assumirmos a de bacharéis em Serviço Social ou, simplesmente, assistentes sociais, saberemos manter o equilíbrio entre a utopia e o pragmatismo, entre o exercício diário da profissão, com todas as suas vicissitudes, e as perspectivas de construção de um mundo melhor, sobretudo para a população que for usuária de nossos serviços.

Nós, cujas atuações incidirão sobre as refrações da questão social, e que cientes estamos de que os homens são formados pelas circunstâncias sociais, econômicas e históricas, trataremos de tornar tais circunstâncias as mais humanas possíveis, observadas as nossas limitações pessoais e profissionais. 

A cor verde de nossas faixas alude à esperança, esse sentimento que teima em arder em nossos corações e neles infundir uma expectativa otimista quanto ao porvir. Contudo, como alertou o saudoso pedagogo e pensador Paulo Freire, não é a esperança um cruzar de braços e esperar, o que seria uma espera que se encerra em si mesma, uma espera pura, uma espera vã, portanto. Esperança, na verdade, é lutar enquanto se espera. Assim sendo, esperaremos, não sentados, mas lutando. 

Nossa luta, no entanto, não será quixotesca, ou seja, não se dará à semelhança daquele personagem de Miguel de Cervantes que enxergava gigantes onde na verdade havia moinhos. Não! Não seremos os cavaleiros da triste figura do século XXI, pois nossos alvos são bem definidos. São eles as mazelas de um sistema econômico que oprime uma maioria em prol do fausto de uma minoria. Não aceitaremos as teses de “fim da história”, de Estado Mínimo, de globalização – que na verdade deveria chamar-se internacionalização do capital ou “globocolonização” - de darwinismo social, de competição em lugar de cooperação, de triunfo do pensamento único, de hegemonia do sistema capitalista em sua variante neoliberal, com todas as suas nefastas implicações sobre as vidas daqueles que se encontram na base da pirâmide sócio-econômica. Mesmo que nossas mãos não possam mudar o sistema, mesmo que este nos sujeite e nos subjugue, nossas consciências sempre lhe serão críticas.

Sublinhamos aqui que nosso proceder profissional não se dará numa perspectiva de favores, mas de direitos. Nós, doravante assistentes sociais, não seremos meros administradores da caridade. Pelo contrário, seremos os agentes que tratam dos direitos garantidos em lei de uma parcela vulnerabilizada pelas agruras do sistema econômico e social hora vigente. 

Por fim, temos que lembrar que nesses quatro anos de curso lançamos sementes, fazendo-o sempre sob a expectativa da colheita. Eis-nos aqui, afinal, depois de tantos percalços na jornada, com os frutos da vitória em mãos, conscientes de que novos desafios virão e nos encontrarão mais fortalecidos e dispostos. Semeamos esforço no passado, às vezes em meio a suor e lágrimas, para hoje termos o que colher. Semeamos, colhemos e, nessa noite, repartimos com todos os frutos da nossa conquista. 

 Muito obrigado.

Comentários

z carlos disse…
Parabéns pela vitória. Muito sucesso em sua tragetória. Abs!