quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

2014 já começou

Por Jeferson Malaguti Soares *

As eleições de 2014 já começaram.  A oposição liberal-conservadora, mídia incluída, sentiu o golpe dos resultados das urnas  em 2010 e 2012. Os partidos oposicionistas encolheram enquanto o PT e PSB, principalmente, cresceram. Os indicadores sociais e econômicos, desde 2003, mostram um país cada dia mais igualitário e menos injusto.

A reação está sendo violenta. O alvo é Lula. Acredita a oposição que, destruindo Lula, o governo da presidenta Dilma desmorona qual castelo de cartas. Por isso o apelo descabido na cobertura da Ação Penal 470; o comportamento desregrado, no mínimo curioso, do STF; os despudorados achaques de parlamentares. Até amante para o ex-presidente arranjaram. Como se não bastasse tentam incriminar Lula no que a oposição insiste em chamar de "mensalão". Pessoas sem qualquer passado ético ou sóbrio são usadas para tanto, como Roberto Jefferson e Marcos Valério. Querem sangrar Lula até sua última gota de sangue.

Essa mesma postura violenta e preconceituosa move cada dia mais pessoas conservadoras, já não tão seguras de uma vitória nas próximas eleições.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Lula e o PT: das cordas à lona

 
 Balboa apanhava muito mas reagia

Por Cléber Sérgio de Seixas

Em um dos mais hilariantes episódios de “Todo mundo odeia o Chris” (Everybody Hates Chris), série televisiva atualmente exibida pela Rede Record, o personagem do título resolve se aventurar no mundo do boxe. Rapidamente Chris se destaca no esporte que consagrou Muhammad Ali e Mike Tyson. No entanto, a competência do tragicômico personagem no pugilato não se devia a jabs, cruzados ou ganchos, mas, e tão somente, às suas esquivas. Bastou o esquivo Chris ser desafiado por um lutador mais experiente, para sua habilidade no pugilismo ser desmistificada e ele sair do ringue desacordado.

No embate que se desenrola desde os primeiros anos da década passada, o PT tem se comportado de forma semelhante ao personagem supracitado. Uma série com Lula como protagonista poderia chamar-se “Todo mundo odeia o Lula”. Entenda-se por “todo mundo” uma burguesia que jamais engoliu ou engolirá o sapo barbudo petista.

Desde o início do mandato, e mais ostensivamente por ocasião do julgamento da Ação Penal 470, Lula, e por extensão o PT, têm sido fustigados por  uma oposição musculosa em função do apoio de uma imprensa burguesa e golpista. Vazia de propostas diante de um governo que, por exemplo, tirou mais de 40 milhões da pobreza, tal oposição tem sido cevada por uma mídia conservadora acostumada a apoiar golpistas e dar-lhes o fôlego suficiente para ficar no ringue – o termo golpistas aqui tem duplo sentido.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O comunismo ético e humanitário de Oscar Niemeyer

Por Leonardo Boff


Não tive muitos encontros com Oscar Niemeyer. Mas os que tive foram longos e densos. Que falaria um arquiteto com um teólogo senão sobre Deus, sobre religião, sobre a injustiça dos pobres e sobre o sentido da vida?

Nas nossas conversas, sentia alguém com uma profunda saudade de Deus. Invejava-me que, me tendo por inteligente (na opinião dele) ainda assim acreditava em Deus, coisa que ele não conseguia. Mas eu o tranquilizava ao dizer: o importante não é crer ou não crer em Deus. Mas viver com ética, amor, solidariedade e compaixão pelos que mais sofrem. Pois, na tarde da vida, o que conta mesmo são tais coisas. E nesse ponto ele estava muito bem colocado. Seu olhar se perdia ao longe, com leve brilho.

Impressionou-se sobremaneira, certa feita, quando lhe disse a frase de um teólogo medieval: “Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. E ele retrucou: “mas que significa isso?” Eu respondi: “Deus não é um objeto que pode ser encontrado por ai; se assim fosse, ele seria uma parte do mundo e não Deus”. Mas então, perguntou ele: “que raio é esse Deus?” E eu, quase sussurrando, disse-lhe: “É uma espécie de Energia poderosa e amorosa que cria as condições para que as coisas possam existir; é mais ou menos como o olho: ele vê tudo mas não pode ver a si mesmo; ou como o pensamento: a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. E ele ficou pensativo. Mas continuou: “a teologia cristã diz isso?” Eu respondi: “diz mas tem vergonha de dizê-lo, porque então deveria antes calar que falar; e vive falando, especialmente os Papas”. Mas consolei-o com uma frase atribuída a Jorge Luis Borges, o grande argentino:”A teologia é uma ciência curiosa: nela tudo é verdadeiro, porque tudo é inventado”. Achou muita graça. Mais graça achou com uma bela trouvaille de um gari do Rio, o famoso “Gari Sorriso: “Deus é o vento e a lua; é a dinâmica do crescer; é aplaudir quem sobe e aparar quem desce”. Desconfio que Oscar não teria dificuldade de aceitar esse Deus tão humano e tão próximo a nós.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Palestina colonizada

Por Jeferson Malaguti Soares *

Li ontem em um jornal da capital, que não se consegue saber quem começou os conflitos entre judeus e palestinos, como também não se sabe quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Ora, apenas quem não tem um pingo de conhecimento da História, ou usa de má fé, pode afirmar isto. Senão, acompanhem o relato a seguir e depois tirem suas conclusões:


“Não alcançaremos nosso objetivo de nos tornarmos um povo independente convivendo com os árabes neste pequeno país. A única solução é a Palestina sem árabes... e não há outro caminho que não seja a transferência dos árabes para os países vizinhos; transferir todos eles; nenhuma vila, nenhuma tribo pode ser deixada de pé”.


O autor dessas palavras foi ninguém menos que o chefe do Departamento de Colonização da Agência Judaica, Iossef Weitz, ao esboçar o projeto de Israel, às vésperas de sua constituição, em fala para o público judeu. Para os estrangeiros a conversa era outra.


Daí começaram as invasões e a construção de habitações judias em terras palestinas. Deram a isso o nome de colônias. E, por mais que a ONU e os próprios governos estadunidenses insistam com Israel para que cesse de uma vez por todas as construções de novas colônias na Cisjordânia, e agora em Gaza, as admoestações são insolentemente ignoradas pelo Estado judeu. Israel persegue seu arrogante objetivo de, cada vez mais, incentivar a diáspora palestina.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Danuza e a elite conservadora



Por Cléber Sérgio de Seixas

Há cerca de dois anos foi inaugurado o Shopping Boulevard na região dos bairros Floresta e Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Quando da inauguração do empreendimento, alguns colegas de trabalho que foram ao evento afirmaram que o shopping era excelente, mas mal freqüentado. Segundo eles, o shopping “só tinha favelado”. A opinião desses meus nobres colegas de trabalho – indivíduos de classe média – aumenta o coro dos descontentes com o processo iniciado em 2003, que redundou na retirada de milhões de brasileiros da pobreza e na conseqüente inserção dos mesmos na classe média. Tal processo é conseqüência direta de um maior índice de empregos formais e de ganhos reais no salário mínimo.

A classe média, como o próprio nome indica, é limítrofe das classes rica e pobre e, apesar da elasticidade presente nos critérios de definição do termo, atualmente divide-se em baixa classe média, média classe média e alta classe média (SAE, 2012). Ainda segundo a SAE (2012), 50% dos brasileiros situa-se na faixa de renda que os classifica como pertencentes à classe média.

 Fonte: SAE (2012)

Importa dizer que muitos indivíduos, ao ingressar na classe média, imbuem-se das mesmas concepções, preconceitos e aspirações da classe economicamente superior, ou seja, da classe rica, a que alguns chamam de elite. Nossa elite é uma das mais atrasadas do mundo, para quem a jactância tem um fim em si mesma.