quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O cambaleante é Aécio?

Por Cléber Sérgio de Seixas

Imagine se Lula fosse flagrado trocando os passos num dos botecos do ABC? Não seria um prato cheio para seus inimigos políticos que sempre procuram qualificá-lo como cachaceiro? O flagrante de Lula embriagado num dos bares da vida renderia capa a vários jornais e revistas da chamada imprensa golpista, instituição que faz as vezes de oposição já que a oposição de fato não tem mais propostas para o país. Mas se a vítima for Aécio Neves, abafa-se o caso ou, no máximo, trata-se o moço como um playboybon vivant, um apreciador de boas bebidas e belas mulheres.

Não esqueça o leitor que no dia 17 de abril do ano passado Aécio foi parado numa blitz da Lei Seca numa movimentada avenida do Leblon, Rio de Janeiro. Na ocasião, o senador mineiro recusou-se a soprar o bafômetro. Posteriormente, descobri-se que o neto de Tancredo Neves portava uma carteira de habilitação vencida e que o veículo que dirigia, um Land Rover de placa HMA-1003, estava em nome da Rádio Arco-Íris, cujos sócios proprietários eram Aécio e sua irmã Andréa Neves. Aliás, a pequena rádio mineira tinha uma frota composta por outros 11 veículos, dentre os quais um Toyota Hilux SWR SRV 4X4, um Audi A6 e um Toyota Fielder (station wagon).

Um vídeo que está circulando na internet (até que não seja censurado) mostra um indivíduo cambaleante, que seria o senador Aécio Neves, entrando no Cervantes - tradicional bar carioca fundado em 1955, reduto da boemia da capital fluminense - e dando uma gorjeta a um garçom: “isso aqui é pra você”, disse o manguaça, apoiado no balcão.

Antes que o vídeo suma da Rede, assista-o abaixo e tire suas próprias conclusões.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Nova jurisprudência: contra o PT, basta acusar


 Por Saul Leblon

O conservadorismo brasileiro vive um dilema meramente formal. Diferente do golpismo - com o qual não hesita em marchar quando a situação recomenda - prefere em geral meios institucionais para atingir os mesmos fins.

Às vezes, a coisa emperra,caso agora do julgamento do chamado 'mensalão', em que já se decidiu condenar; onde se patina é na escolha do lubrificante para deslizar a sentença no mundo das aparências.

A dificuldade remete a um detalhe: faltam provas cabais de que o crime não equivale ao disseminado caixa 2 de campanha, com todas as aberrações que a prática encerra, a saber: descarna partidos, esfarela programas, subverte a urna e aleija lideranças.

Reconhecê-lo, porém, tornaria implícita a precedência tucana com o valerioduto mineiro.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O julgamento do “mensalão”, a farsa e os farsantes

Por Bob Fernandes

Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado "mensalão". Não, o julgamento não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal "mensalão", ou era caixa dois; essa que (quase) todo mundo faz e usa. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos.

Farsa é, 14 anos depois, admitir a compra de votos para se aprovar a reeleição em 98 -Fernando Henrique Cardoso-, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras que agora estão em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.

Farsa é fazer de conta que em 1998 não existiram as fitas e os fatos da privatização da Telebras. É fazer de conta que a cúpula do governo de então não foi gravada em tramoias e conversas escandalosas num negócio de R$ 22 bilhões. Aquilo derrubou um pedaço do governo tucano. Mas não deu em CPI. Ninguém foi preso. Deu em nada.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A criminalização da política

Por Laurindo Lalo Leal Filho

Política para a mídia brasileira em geral é sinônimo de escândalo. Para grande parte da população, resume-se a eleições. Pessoas menos informadas cos­tumam referir-se ao ano eleitoral como o “ano da política”, fechando dessa forma o círculo da incultura cívica do país. O ensino é alheio ao tema. Nação de base escravocrata, às camadas subalternas sempre foi negado o direito de efetiva participação no jogo político. Como concessão permite-se o voto, dentro de regras restritivas, feitas sob modelo para a perpetuação das elites no poder.

O descompasso entre presidentes eleitos a partir de programas de governo reformistas, com apelo popular, e composições parlamentares no Congresso conservadoras e patrimonialistas tem sido constante da política brasileira desde a metade do século passado. O suicídio de Vargas em 1954 e o golpe de Estado sacramentado pelo senador Auro de Moura Andrade em 1964 ao declarar vaga a Presidência da República legalmente ocupada por João Goulart são símbolos da ambiguidade política brasileira, na qual se enquadra até a renúncia tresloucada de Jânio Quadros, em 1961.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Imperialismo interplanetário

 Foto da superfície de Marte tirada pela Curiosity (Nasa)

Por Cléber Sérgio de Seixas

Haverá limites para a audácia e o engenho humanos? Até onde irá o homem em sua epopéia rumo ao infinito? Será possível à espécie humana progredir sem destruir o ambiente que a abriga? Caberá a ganância humana apenas neste pequeno asteróide chamado Terra?

Atualmente, há quem se preocupe com o esgotamento dos recursos naturais do planeta, há quem lute por um desenvolvimento em moldes sustentáveis, mas poucos são os que refletem sobre a infinitude do desejo humano.

A recente chegada do robô Curiosity em Marte é mais uma aventura a demonstrar que nossa evolução tecnológica já rompeu os limites do improvável. Desde quando Gagarin afirmou que a Terra era azul até o pouso do veículo-robô no Planeta Vermelho, o universo se tornou menor. Até chegar a Marte, a sonda de aproximadamente uma tonelada viajou cerca 570 milhões de quilômetros, numa missão que se iniciou no dia 26 de novembro de 2011, data do lançamento do foguete Atlas V541, e que custou à NASA a bagatela de 2,5 bilhões de dólares. Uma vez na superfície de Marte, a Curiosity fará análises de solo, bem como enviará à Terra fotografias do relevo marciano.

sábado, 11 de agosto de 2012

Agenda - José Martí comemora os 86 anos de Fidel

Venha comemorar conosco o aniversário de um dos maiores líderes que a humanidade já produziu cujas ideias marcam os séculos XX e XXI.

De líder estudantil a guerrilheiro, chefe de estado e herói dos povos oprimidos de todo o mundo, tornou o seu pequeno país um dos mais conhecidos e respeitados do planeta. Sob sua firme direção Cuba não só resiste até hoje a mais de cinco décadas de criminoso bloqueio norte-americano como ostenta indicadores sociais superiores aos dos países desenvolvidos.

Os seus amigos de Minas Gerais e do Brasil se somam aos de todo o mundo e desejam:

VIDA AINDA MAIS LONGA E AINDA MAIS PROFÍCUA, QUERIDO COMANDANTE !

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A origem da corrupção

Por Jeferson Malaguti Soares e Cléber Sérgio de Seixas *


O grande capital nacional e internacional e a mídia, sem uma agenda convincente no plano econômico, social e político, se aproveitam dos equívocos do PT e dos partidos aliados e arrumam uma agenda com a qual esperam voltar ao poder: o combate à corrupção.

Como se fossem vetustos cidadãos, guardiões da moralidade pública e privada; como se o passado não os tivesse já condenado pelos inúmeros mal feitos, roubos, “privatarias” e apropriações indébitas do erário; como se quase não tivessem entregue a soberania nacional ao capital estrangeiro; como se desconhecessem que a corrupção é filha legítima da injustiça social e arruinadora dos costumes, os pseudo-paladinos da probidade, atualmente sem propostas para a nação, tendo como porta-voz a mídia golpista, concentram seus esforços no sentido de transformar o assim chamado “mensalão” no maior esquema de corrupção da História nacional. Sabe-se, no entanto, que os maiores esquemas de corrupção de nossa História recente foram as privatizações e a compra de votos para aprovar a emenda da reeleição presidencial, ambos durante e sob a égide do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Indiferentes ao sofrimento alheio, sem qualquer compaixão ou misericórdia pelos menos favorecidos, os neoliberais de plantão desejam o poder única e exclusivamente pelo poder, falsos moralistas a esconder o real objetivo de sua política entreguista: desgastar as atividades estatais e emplacar novamente um agenda neoliberal para o Estado brasileiro. Trata-se de desmontar o Brasil e reinar sobre os seus escombros.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Constrangimentos no mensalão

Por Paulo Moreira Leite *

Sabemos que  os esquemas financeiros da política brasileira são condenáveis por várias razões, a começar pela principal: permitem ao poder econômico alugar o poder político para que possa atender a seus interesses. Os empresários que contribuem com campanhas financeiras passam a ter deputados, senadores e até governos inteiros a seu serviço, o que é lamentável. O cidadão comum vota uma vez a cada quatro anos. Sua força é de 1 em 100 milhões. Já o voto de quem sustenta os políticos é de 100 milhões contra 1.

Por isso sou favorável a uma mudança nas regras de campanha, que proíba ou pelo menos controle essa interferência da economia sobre a política. Ela é, essencialmente, um instrumento da desigualdade. Contraria o princípio democrático de que 1 homem equivale a 1 voto.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gilmar Mendes: Juiz? Não, réu!

Por Leandro Fortes

Na quinta-feira, dia 2, quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no STF, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da Corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo, “bandidos”, segundo a definição de Mendes.

À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.