sábado, 30 de junho de 2012

Dica cultural - Violeta foi para o céu


Por Cléber Sérgio de Seixas

Chega às telas uma cinebiografia daquela que é considerada a criadora da música popular chilena. Violeta Parra foi poeta, música, folclorista e artista plástica. Comunista, veio ao mundo no mesmo ano e mês da revolução bolchevique. Como poucas, ela soube dar voz  às causas dos explorados e oprimidos, tendo sido referência para outros cantores como Victor Jara, de quem fora parceira, e Mercedes Sosa.

O filme "Violeta foi para o céu" (Violeta se fue a los cielos), de André Wood, resgata a trajetória desta artista cuja importância para o cenário cultural latino-americano ainda não foi mensurada. A memória de Violeta ecoa nos versos de canções como Volver a los 17 e Gracias a la vida, magistralmente interpretadas aqui no Brasil por Milton Nascimento (junto com Mercedes Sosa) e Elis Regina, respectivamente.

Violeta morreu de tanto viver em 5 fevereiro de 1967, após intensa carreira artística e uma conturbada vida amorosa.

Onde está passando em Belo Horizonte:
- USIMINAS BELAS ARTES CINEMA 3 (21:30 - somente no sábado dia 30/06)

Abaixo um dos grandes sucessos de Violeta Parra nas vozes de Mercedes Sosa e Milton Nascimento.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dos efeitos do marketing político


Por Cléber Sérgio de Seixas

Na semana passada, o anúncio do apoio de Paulo Maluf (PP) à candidatura de Paulo Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo provocou escândalo, sobretudo na esquerda mais ideologizada. As imagens de Lula e Haddad saudando Maluf na casa deste para selar o apoio foram veiculadas à exaustão nos veículos de comunicação. Por conta de tais imagens, Luiza Erundina - que em 2004 aceitou uma aliança com Orestes Quércia (PMDB) - abandonou o barco. A velha imprensa aproveita o episódio para alfinetar Lula e o PT, salientando o pragmatismo político de ambos.

É oportuno dizer aos jornalistas, aos editorialistas e aos colunistas da dita grande mídia, e mesmo aos militantes de esquerda mais aguerridos, que tal pragmatismo político não é uma exclusividade petista, e que suas origens se confundem com as da própria política - nem Lula nem Maluf são pioneiros na realpolitik.

Quem poderia supor que Stalin faria um pacto com Hitler (Pacto Molotov-Ribbentrop) nas vésperas da Segunda Guerra Mundial? E quantos foram os que se escandalizaram quando Luís Carlos Prestes anunciou seu apoio a Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de 1950, apesar de o Cavaleiro da Esperança ter perdido nove anos de sua vida na prisão, bem como sua amada Olga Benário por conta da implacável perseguição getulista?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Documentos revelam detalhes da tortura sofrida por Dilma em Minas na ditadura

 Enquanto Dilma, altiva, encara seus verdugos, os funcionários da Ditadura, ao fundo, tapam o rosto

Reportagem de Sandra Kiefer *

A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.

Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.

As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Agnelo na CPI: derrota da oposição



Por Leonardo Sakamoto em seu blog

 Já perto do fim da sessão desta quarta-feira, Cássio Cunha Lima, senador pelo PSDB, admitiu que o governador Agnelo Queiroz conseguiu provar sua inocência em relação ao esquema Cachoeira. Aproveitou, contudo, numa jogada esperta, ou supostamente esperta, para inocentar igualmente Marconi Perillo. Lembrou um advogado que tentasse inocentar Fernandinho Beira-Mar dizendo que não há provas contra Bin Laden. Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com outra.

Marconi Perillo era um membro do clube Cachoeira. Era amigo pessoal do bandido (telefonou-lhe pessoalmente para lhe desejar feliz aniversário) e tinha com ele íntimas ligações financeiras (Cachoeira foi preso na casa que Perillo lhe vendeu).

Ficou provado que o esquema Cachoeira tentou derrubar Agnelo. Há gravações que mostram o próprio Cachoeira xingando o governador por não conseguir arrancar o que queria de sua administração, ameaçando botar o “gordinho” (apelido de Demóstenes Torres) e a revista Época para prejudicá-lo. Dias depois Demóstenes subiu à tribuna para pedir o impeachment do governador do Distrito Federal. E a revista Época iniciou ataques sistemáticos contra Agnelo. Ou seja, mais uma vez observamos a mídia aliada ao crime organizado.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A grande mídia golpista e seus pré-julgamentos

 Reportagem da Veja, edição 2239 de 19 de outubro de 2011

Por Cléber Sérgio de Seixas

A Comissão de Ética da Presidência da República arquivou o processo contra o ex-ministro do Esporte Orlando Silva por falta de provas. Só para refrescar a memória, trata-se do processo oriundo das acusações feitas ao ministro pelo policial militar João Dias Ferreira no ano passado. Dias afirmava que Orlando Silva seria o mentor de um esquema que desviava, através de ONG’s, recursos públicos destinados ao programa “Segundo Tempo”. O policial militar afirmou que numa ocasião teria entregue dinheiro vivo ao ministro na garagem do Ministério do Esporte. Orlando sempre negou as acusações e, apesar do o policial nunca ter apresentando provas, o ministro foi submetido a um pré-julgamento pelos grandes veículos de comunicação, o que resultou em sua posterior queda.

Em sua edição de número 2239 (19 de outubro de 2011), a revista Veja estampava em sua capa: “O ministro recebia dinheiro na garagem – testemunhas de desvios acusam diretamente Orlando Silva, ministro do Esporte”. A matéria assinada por Rodrigo Rangel apontava Silva como mentor e beneficiário de um suposto esquema e o PCdoB como organizador de uma estrutura de desvio de dinheiro público que se utilizaria de “ONGs amigas como fachada”. Arquivado o processo, dedicará o semanário dos Civita o mesmo espaço para informar que tudo não passou de acusações infundadas? Terão Orlando Silva e o PCdoB direito de resposta às levianas acusações a eles direcionadas?

sábado, 9 de junho de 2012

Candidato ingênuo


Por Frei Betto

Candidato, vocábulo que deriva de cândido,  puro, íntegro. Quem dera a maioria correspondesse a essa etimologia... A  ingenuidade de muitos candidatos a vereador se desfaz quando, convidado a  concorrer às eleições, acredita que, se eleito, não será “como os outros”  (quantos não disseram isso no passado e hoje...) e prestará excelente serviço  ao município.

O que poucos candidatos desconfiam é que  servem de escada para a vitória eleitoral de políticos que eles criticam. Para  se eleger vereador, deputado estadual ou federal, é preciso obter quociente  eleitoral - aqui reside o pulo do gato.

A Câmara Municipal comporta de 9 a 55 vereadores, de  acordo com a população do município. Cândidos eleitores imaginam que são  empossados os candidatos que recebem mais votos. Ledo engano. João pode ser  eleito ainda que receba menos votos do que Maria. Basta o partido do João  atingir o quociente eleitoral.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A mídia e a marcha dos marcianos

Por Mino Carta na Carta Capital

Recebi de um leitor a imagem que ilustra este editorial. Primeira página de O Globo pós-golpe de 1964, Presidência interina de Ranieri Mazzilli, enquanto os donos do poder e seus gendarmes decidem o que virá. Treze dias depois o então presidente da Câmara volta a seu assento de congressista e a ditadura é oficialmente instalada. Comentário do amável leitor: eis aí os defensores midiáticos da democracia sem povo.

De fato, acabava de ser desferido um golpe de Estado, mas seus escribas, arautos e trompetistas declamam e sinfonizam a história oposta. O marciano que subitamente descesse à Terra, diante da página de O Globo, e de todas as dos jornalões, acreditaria que o Brasil vivera anos a fio uma ditadura e agora assistia à sua derrubada. Em editorial, nosso colega Roberto Marinho celebrava: “Ressurge a Democracia!”

É o jornalismo nativo em ação, entre a ficção e o sonho, a hipocrisia e a prepotência, sempre na sua função de chapa-branca da casa-grande. Vaticinava a invasão bárbara da marcha da subversão, passou, entretanto, a Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade. A Marcha dos Marcianos, me arrisco a dizer. Não é que faltassem entre os marchadores os hipócritas e os prepotentes. A maioria, contudo, era marciana. Só mesmo um alienígena para acreditar em certos, retumbantes contos da carochinha.

Agora, observem. Quarenta e oito anos depois, a Marcha dos Marcianos ainda desfila, sem deixar de arrolar hipócritas e prepotentes. Ocorre que muitas mudanças aconteceram neste tempo longo. Inúteis ferocidades e desmandos a ditadura praticou, para esvair-se em suas próprias contradições enquanto fermentava a fortuna de empreiteiros, banqueiros e barões midiáticos. A pretensa redemocratização teve seus lances de ópera-bufa. Collor foi louvado por abrir os portos, mas cobrou pedágios nunca vistos. O governo tucano quebrou o País três vezes.

domingo, 3 de junho de 2012

A sina do capitalismo


Por Jeferson Malaguti Soares *

Seria o capitalismo a única garantia de sobrevivência da democracia?  Já ficou provado que não. O capitalismo se alimenta de crises, das suas e da dos outros que ele fomenta. Além disto, o regime capitalista existe sobre dois pilares básicos: a propriedade privada e a proteção das riquezas. Isto é, o capitalismo, sustenta-se nas desigualdades sociais e na acumulação de riquezas. Dessa fórmula cruel se alimenta o imperialismo de estado, contra a democracia e os conceitos básicos de cidadania.

Cidadania e democracia são realidades que se completam. Exercer a cidadania plena é ter plenos direitos civis, políticos e sociais. Direito à vida, à liberdade, à igualdade perante a lei, participar dos destinos da sociedade, votar e ser votado, e participar da riqueza coletiva com direito à educação, ao trabalho ao salário justo à saude, a uma velhice digna.