segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um salto no abismo


Por Cléber Sérgio de Seixas

O fim do kirchnerismo na Argentina e o resultado das eleições na Venezuela, com a oposição ao chavismo assumindo a maioria das cadeiras na Assembléia Nacional, assanhou a mídia tupiniquim, ansiosa por um efeito dominó que resulte na debacle de todos os governos pós-neoliberais da América Latina. 

Aqui na Terra Brasilis respira-se os ares de um golpe branco por conta do pedido de impeachment da presidenta Dilma acolhido pelo presidente da Câmara. Ficou claro que o pedido protocolado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, e aceito por Eduardo Cunha, foi uma retaliação deste ao PT ao saber que os deputados petistas votariam contra ele na Comissão de Ética da Câmara, onde será investigado por quebra de decoro parlamentar. A vendetta é confirmada quando se constata que Cunha, havia meses, colecionava pedidos de impeachment em sua gaveta e, duas horas após saber da decisão dos deputados do PT, resolveu dar andamento a um deles.

Enquanto Eduardo Cunha fazia manobras para salvar seu mandato e, por outro lado, para abreviar os dias de Dilma no Planalto, veio à tona uma carta aberta do vice Michel Temer em cujo teor o presidente do PMDB, praticamente, rompe com o Planalto. Nesse interregno, foi divulgado o documento “Uma Ponte para o Futuro” - espécie de plano de governo do PMDB numa eventual substituição de Dilma por Temer via impeachment da Presidenta. Assinado pela Fundação Ulisses Guimarães, o documento traz propostas que fariam o desenvolvimentista Celso Furtado revirar-se em seu túmulo. Na carta-rompimento, Temer ousa afirmar que se trata de um programa “aplaudido pela sociedade”. Antes de passar à análise do que é proposto no supramencionado documento ou aplaudi-lo, faz-se necessário situar, brevemente, o PMDB no atual cenário político nacional.