quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A PEC da morte e a apatia política do brasileiro



Dormia a nossa pátria mãe
tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Chico Buarque - Vai Passar


Por Cléber Sérgio de Seixas

Se o impedimento de Dilma Rousseff, levando em conta as análises providas por juristas de renome brasileiros e estrangeiros, pode ser considerado um golpe de Estado parlamentar – um golpe branco ou “suave” – a PEC 241, também conhecida como PEC do Teto de Gastos, se aprovada pelo Senado Federal, significará o golpe dentro do golpe, semelhantemente ao que significou o AI-5 para o golpe desfechado pelos militares em 1º de abril de 1964.

Aprovada pela Câmara - não sem antes a Presidência da República ter oferecido um jantar aos deputados federais - , a PEC 241, também aprovada em primeiro turno pelo Senado como PEC 55, teria a missão de equilibrar as contas públicas. O dito equilíbrio que supostamente a dita PEC proporcionaria seria feito a expensas de medidas que, de tão impopulares, jamais fariam parte da plataforma política de um aspirante ao cargo mais alto da República. Temer, no entanto, não teme a impopularidade decorrente de propostas como as contidas na tal PEC, uma vez que não foi alçado ao poder pelas urnas. Em palestra proferida a empresários no dia 30 de setembro último em São Paulo, o presidente assim se manifestou: “Se eu ficar impopular e o Brasil crescer, eu me dou por satisfeito”. De fato, a popularidade de Temer vem caindo no mesmo ritmo em que são anunciados os pacotes de maldade de seu governo. É pouco, porém.

Soubesse a camada mais pobre da população brasileira o destino que a aguarda caso seja aprovada a Emenda Constitucional 55, tomaria as ruas de todas as cidades do país para pressionar seus parlamentares a desistirem de chancelar tal ignominiosa proposta.