terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fotos e Fatos - a ambiguidade de Jânio



Por Cléber Sérgio de Seixas

Dizem que agosto é o mês do cachorro louco. A má fama do oitavo mês do ano é tributária de acontecimentos funestos como o início da Primeira Guerra Mundial; a detonação de duas bombas nucleares sobre o Japão, marcando o fim da 2ª Guerra Mundial; o início da construção do Muro de Berlim, entre outros. No Brasil, dois eventos corroboram essa má reputação: o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, e a renúncia de Jânio. 

Há exatos 54 anos renunciava Jânio Quadros. “Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. (...) Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam...” - desabafava o presidente em sua carta renúncia.  Ainda hoje são misteriosas as causas da renúncia do 22º presidente do Brasil, que chegou ao poder sob os afagos da UDN de Carlos Lacerda. Tampouco são conhecidas as “forças terríveis” a que Quadros se referia. Alguns analistas especulam que Jânio, pressionado pelos espectros direito e esquerdo da política nacional, optou pela renúncia como saída estratégica visando a uma hipotética volta ao poder nos braços do povo. 

O governo de Jânio – que durou apenas 08 meses – foi marcado por muitas ambiguidades. Se, de um lado, Jânio foi capaz de condecorar Ernesto Che Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, além de restabelecer relações comerciais e diplomáticas com a URSS e a China, em plena Guerra Fria, de outro, reprimiu movimentos de esquerda e congelou salários, sem falar de anedóticas medidas como as proibições do uso de biquínis em transmissões televisivas de concursos de miss, das rinhas de galo e do uso de lança-perfume em bailes de carnaval. 

Em 21 de abril de 1961 o fotógrafo gaúcho Erno Schneider cobria o encontro de Jânio com o presidente argentino, Arturo Frondizi, que se daria sobre uma ponte que ligava as cidades de Uruguaiana (RS) e Libres, Argentina. No meio do evento, um tumulto assustou o presidente brasileiro, que se voltou, mas com as pernas enviesadas. Um clique congelou a imagem que sintetiza bem um governo que não sabia se ia para a direita, para a esquerda ou se permanecia no centro. 

A fotografia rendeu a Schneider o Prêmio Esso de Jornalismo de 1962 e o sagrou como um dos maiores fotógrafos brasileiros. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A mídia desonesta e golpista

Por Jeferson Malaguti Soares *

É injusto o que a mídia vem fazendo, aliada aos tucanos, ao judiciário e à banda podre da polícia federal. Esconde todos os males de outros partidos e apenas indicia o PT. Não sou filiado ao PT, mas é covardia, falta de escrúpulos e desonesta a postura dos órgãos de imprensa do país. A mídia nacional torce contra o país, apenas para desbancar o PT do poder.

Se não gosto de um partido político, por questão ideológica, devo lutar com meus argumentos e não querer que o partido desapareça, a qualquer custo, com base em mentiras e factóides, como agem os tucanos contra o PT.

Há uma coisa que prezo muito na vida: A VERDADE. E, junto dela, eu prezo a justiça. Então, por mais que alguém pense diferente de mim, não tenho o direito de "destruir" essa pessoa. Posso discutir opiniões, tentar convencê-la do contrário, mas não é justo que eu crie fatos, invente histórias, acabe com a imagem dela, apenas para que eu vença, apenas por meu mero egoísmo, orgulho e, pior, por interesses escusos, desonestos, como vem fazendo a mídia contra o PT.

O convite que faço é que lutemos contra a corrupção em todos os níveis e em todos os partidos, desde a questão do metrô de São Paulo, passando pelo aeroporto em Minas, pelo helicóptero do pó, chegando na Petrobrás (que os fatos indicam, a corrupção teve inicio nos governos de FHC). TUDO, tudo deve ser apurado, e TODOS os corruptos devem ser eliminados da política, impedidos de se candidatarem novamente e presos. Pergunto, como Eduardo Cunha, um notório malversador do dinheiro público, não está preso? Nosso judiciário tem uma lei para o PT e outra para a direita. Eduardo Cunha empobrece e macula o PMDB de Ulysses Guimarães.

domingo, 16 de agosto de 2015

Do direito de punir



Por Cléber Sérgio de Seixas

O cenário político-social que hora se descortina no Brasil é dos mais preocupantes. Adjacente ao discurso de criminalização da política se escondem o ódio de classe da burguesia nativa que desdenha a ascensão social das classes subalternas ensaiada nos últimos anos, a intenção de moralizar e criminalizar a pobreza e o desejo recôndito de exterminar as juventudes pobres, negras e de periferia. Tangida pela opinião publicada, aos poucos, a opinião pública vai sendo condicionada a aderir ao discurso conservador e fascista, cuja cadela está sempre no cio. 

Aqui e ali, acontecimentos dão conta de que nossa democracia tem pés de barro e a plenitude dos direitos humanos ainda é algo a se conquistar nessas terras tupiniquins. Quando menos se dá conta, a barbárie se instala. 

Por volta das 12h30 do dia 05 de julho do corrente ano, Cleidenilson Pereira Silva, 29 anos, foi dominado por populares após tentar assaltar um estabelecimento comercial no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luiz, Maranhão. Amarrado a um poste, o meliante recebeu pontapés, socos, pedradas e garrafadas. Morreu ali mesmo, despido e atado a um poste de luz. O adolescente que o acompanhava no delito só não teve a mesma sorte porque a Polícia Militar local interviu antes que as agressões se agravassem. Cleidenilson portava um revólver calibre 38. Até a noite do dia seguinte, ninguém havia sido detido. Trata-se do décimo caso de linchamento que se tem notícia em dezoito meses no Maranhão.

No dia 03 de maio do ano passado, Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, faleceu após ter sido linchada por moradores de Guarujá, litoral paulista. As agressões a Fabiane decorreram de boatos difundidos em redes sociais que apontavam a dona de casa como autora de sequestros de crianças para realização de rituais macabros. Quando iniciaram as agressões a Fabiane, esta trazia uma Bíblia às mãos, confundida por seus algozes com um livro de magia negra. 

Em 30 de julho último, na cidade de Itanhaém, litoral paulista, Junio Flávio Alves de Alcântara, 28 anos, foi linchado por um grupo de pessoas que o confundiu com um estuprador. No dia seguinte, fora constatada a morte cerebral da vítima.

No primeiro caso, tratava-se de um criminoso surpreendido por populares no momento do delito. No segundo, de uma pessoa totalmente inocente, cujo assassinato teve como ponto de partida um boato divulgado na internet. No terceiro, novamente, um inocente confundido com um criminoso. Em ambas as situações se observam grupos de pessoas que se arvoram em substitutos do aparato punitivo do Estado.