segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Só é possível sonhar quando se pode respirar



Por Cléber Sérgio de Seixas

No primeiro discurso proferido após o anúncio da vitória no pleito presidencial de 2008, foram estas algumas das palavras ditas por Barack Obama: “Se alguém ainda duvida que a América é o lugar onde todos os sonhos são possíveis, se ainda questiona se os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questiona o poder da nossa democracia, teve esta noite a resposta”. Já na posse, o 44º presidente dos Estados Unidos assim se manifestou: “Esse é o sentido de nossa liberdade e de nossa crença – o motivo pelo qual homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as crenças podem se unir neste magnífico local, e também o porquê de um homem cujo pai a menos de 60 anos talvez não fosse servido num restaurante local pode agora estar diante de vocês para fazer o juramento mais sagrado”. 

Dúvidas de que um negro poderia chegar à Casa Branca já não mais havia após a eleição de Obama. Questionamentos quanto à liberdade dos negros de ocuparem espaços públicos ao lado de brancos, de um afrodescendente sentar ao lado de um branco num assento de coletivo também não se sustentam nos dias atuais. No entanto, tendo em conta que muitos negros continuam sendo considerados seres humanos de segunda classe, muitas interrogações ainda pairam sobre a cidadania dos afro-americanos nos EUA. 

Um negro na Casa Branca não necessariamente indica que os direitos dos negros estão sendo amplamente respeitados nos Estados Unidos, nem tampouco que os que compartilham a raça com o presidente tenham alcançado seu Éden. Acontecimentos recentes atestam que a chegada de Obama ao poder não significou a cidadania plena dos negros norte-americanos. O negro mais poderoso do planeta não fez jus ao Nobel da Paz que recebeu em 2009. A nação que ele comanda replica mundo afora um comportamento de rapina semelhante ao que, séculos atrás, arrancou seus ancestrais do continente africano e os trouxe ao Novo Mundo para trabalhar à exaustão para senhores brancos. Enquanto essas linhas são escritas, a águia do Maine afia novamente suas garras preparando-se para uma nova investida na Ucrânia. A verdade, novamente, será a primeira vítima na continuação da política por outros meios.

sábado, 27 de dezembro de 2014

A mídia que assusta

Por Jeferson Malaguti Soares*

Estou assustado com a mídia nacional. O universo midiático brasileiro perdeu o senso da medida e do ridículo. A agressividade dos órgãos da imprensa ficou de tal forma exposta que está transformando o Brasil no país do absurdo, onde os tribunais passaram de templos da justiça a esgoto de golpistas ensandecidos e onde a democracia é como chiclete que anda na boca de qualquer um, no afã de redesenhá-la.

Acompanho eleições há meio século e nunca presenciei tamanho cinismo e descaramento. Nossa mídia tem lado e só enxerga o lado no qual quer bater. Mentiras, hipocrisias, invenções, sordidez, pontuaram e pontuam as edições de nossa imprensa. 

Liberdade de imprensa não é ter o direito de mentir, caluniar, acusar sem provas, injuriar, depreciar e desacreditar pessoas, difamar, detratar, deslustrar alguém, maldizer, vexar, vituperar, ultrajar, conspurcar ou desmerecer quem quer que seja. Isso é crime.

Precisamos de um marco regulador da mídia com urgência. Regular não é tirar a liberdade. É fazer com que a imprensa seja responsável pelo que fala ou escreve. Responsável pelos seus atos. A injúria e a calúnia hão de ter consequências. Quanto à mentira, há que se exigir retratação de quem a publica.

Fotos e fatos - os 10 anos da tragédia no Índico

(Créditos: Arko Datta/Reuters)


Por Cléber Sérgio de Seixas

Em 26 de dezembro de 2004, um sismo submarino que atingiu 9,3 pontos na Escala Richter, com epicentro na costa oeste de Sumatra, Indonésia, causou uma série de ondas gigantes no Oceano Índico - as tsunamis - e alterou a inclinação do planeta em 2,5 centímetros. 

As ondas mortais causaram estragos em nove países da Ásia e provocaram uma tragédia que ceifou a vida de mais de 200 mil pessoas e deixou milhões na miséria. 

Nesta foto, tirada em 28 de dezembro daquele ano em Cuddalore, Índia, o fotógrafo indiano Arko Datta mostra o desespero de uma mulher ao encontrar o corpo de um parente morto no tsunami. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A sociedade hegemônica

Il Quarto Stato, óleo de Giuseppe Pellizza 

Por Jeferson Malaguti Soares *

A hegemonia da sociedade é fator primordial e preponderante na construção da democracia. “Todo o poder emana do povo” é apenas uma frase retórica? Que poder é esse que emana do povo? Se for apenas o direito de votar, estamos perdidos.

Entendo que além de votar em pessoas, a sociedade deve e precisa encaminhar e exigir as reformas necessárias para o bom desenvolvimento da democracia. Reformas estruturais, como a política, a tributária e, hoje, a democratização da mídia. Para que isso aconteça, para que se construa e defenda o fortalecimento da democracia, a sociedade precisa ser ouvida e ter sua vontade respeitada pelo Parlamento. Para isto é importante garantirmos a Política Nacional de Participação Social. É através dela que a mobilização e a luta social influenciam as decisões governamentais. Não só as ações do executivo, mas também dos poderes legislativo e judiciário.

Não é possível que a Câmara Federal deixe de lado a iniciativa popular (quase 8 milhões de votos) pela campanha do plebiscito por uma Constituinte exclusiva e soberana a respeito do sistema político do país, que envolveu mais de 500 entidades da nossa sociedade.

Da mesma forma não é possível que continuemos tutelados por uma mídia monopolista e de oligopólios regionais. Uma mídia que acredita ser intocável, que acredita ser a liberdade de imprensa seu direito de injuriar pessoas, inventar factóides, mentir, torcer a verdade e, principalmente, escolher em quem bater, a quem perseguir. Uma mídia falaciosa, que tem lado, mas que deixa de lado seu dever de informar com isenção, de fazer um jornalismo sério, de ser imparcial. Nossa mídia suaviza quando o assunto diz respeito a um mal feito dos tucanos e exagera na adjetivação que implique em juízo de valor quando o alvo é Dilma ou Lula.

É importante a defesa do fortalecimento da democracia também no poder judiciário. É desumano que um processo demore uma vida inteira para ser julgado. É repulsivo conviver com juízes venais, em todas as esferas do judiciário. Os juízes do STF, por exemplo, deveriam ser escolhidos pelo voto popular. Para que servem algumas instâncias judiciais senão para dar oportunidade de os poderosos postergarem o julgamento de questões das quais são réus. Vide o caso do mensalão tucano. Uma vergonha. A polícia prende e o STF manda soltar bandidos como Daniel Dantas. É a suprema corte a serviço do golpismo, de sangrar a constituição.

Como é possível que se fale abertamente de impedimento de uma presidenta de caráter ilibado, sobre a qual não pesa qualquer processo de qualquer ordem? Como é possível pessoas que viveram sob a ditadura militar pedirem a intervenção militar? Como é possível um provecto como FHC incentivar tanta mentira contra Dilma? De Aécio Neves, José Serra, Álvaro Dias e outros safardanas, biltres do PSDB, é sabido que podemos esperar de tudo. Mas, de FHC, um ex-presidente, que se diz intelectual, que se exilou durante a ditadura, é duro ouvir certas sandices. A idade avançada, ao que parece, não o gratificou com a sabedoria. Não acredito também em senilidade. O certo mesmo é que FHC nunca foi o que parecia ser. Foi, e é, um grande mistificador, tal qual seu apaniguado Aécio Neves.

Enfim, a sociedade é que tem a propriedade hegemônica de conduzir os destinos do país. No entanto, ainda precisa escolher melhor seus representantes.


* Jeferson Malaguti Soares é Secretário de Esportes na Prefeitura de Ribeirão das Neves, administrador, consultor de empresas e colaborador deste blog.