quinta-feira, 20 de março de 2014

Sócrates e Joaquim Barbosa - semelhantes na origem, diferentes na têmpera

"A Morte de Sócrates", óleo de Jacques-Louis David.

Por Jeferson Malaguti Soares*

“Que o juiz não ceda a súplicas, que evite a condenação por rogos. Não dispense sentença a favor ou contra, mas pronuncie retamente e prometa não condescender com quem lhe agrada, mas proceda segundo as leis. Por isso, nem nós devemos nos habituar a proceder contra o vosso julgamento, nem vós deveis permitir que nos habituemos a fazê-lo”.

Este é um pequeno trecho da imponente defesa que fez Sócrates dirigindo-se aos juízes que o julgariam no processo. Quando acusado, imerecidamente, de cometer crimes por investigar coisas celestes e, com isto, desencaminhar a juventude de Atenas.

Sócrates nasceu em Atenas, no subúrbio de Alopece, no ano 470 a.C para alguns e 469 para outros. Morreu aos 70 anos, condenado pelos crimes citados. Filho de Sofronisco e Fenareta, pessoas simples do povo ateniense, ele artesão, ela, parteira. Para alguns, como Cícero, Sócrates teria feito a filosofia descer do céu à terra ao fazer gravitar suas teorias filosóficas em torno do homem e de seus eternos problemas: a verdade, a justiça, o bem, a virtude, o dever. Para ele, o sábio, assim como os juízes, deve, antes de tudo, preocupar-se com o bom agir e não com o resultado de suas ações. Dizia ele sempre: “conhece-te a ti mesmo antes de julgardes”. Seus principais seguidores foram Platão e Xenofonte.

“Dessa investigação, cidadãos atenienses, me vieram inúmeras calúnias como também me foi atribuída a qualidade de sábio. Na verdade sábio é Zeus, ao dizer no oráculo que a sabedoria humana é de pouco ou nenhum preço. Disse Zeus que são considerados sapientíssimos dentre vós (dirigindo-se aos juízes), aqueles que, como Sócrates, tenham reconhecido que em realidade sua sabedoria não carrega nenhum mérito”. “Só sei que nada sei”- reação de Sócrates ao pronunciamento do oráculo de Delphos, que o apontava como o mais sábio de todos os homens.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Violência - origem, consequências e solução

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." 

Por Jeferson Malaguti Soares *

“A violência se origina na sociedade excludente em que vivemos”-Leonardo Boff. Simples assim. 

A sociedade excludente se origina na sociedade capitalista, no mercado mundial, no Estado repressor, na minoria burguesa dominante e no descaso pela questão social. Essas são fontes inequívocas de uma violência devastadora, que estraçalha a dignidade humana.

A questão social, por exemplo, até há algum tempo, era tratada como assunto de polícia e não de políticas públicas. 

Violenta também foi a conquista do Brasil colônia. Violento foi o tratamento dado aos nossos índios. Violenta foi a nossa relação com os negros, com o trabalhador organizado em sindicatos e para com todos os pobres do país. 

É público e notório que o Estado legitimou o uso da violência através dos tempos. Militarizou as polícias.

Nossa colonização foi degradante. Nossa história foi escrita pelos brancos portugueses. Dela não participaram os índios, os negros, os mulatos, as mulheres e os pobres em geral. Nossa produção era escravagista. A violência praticada contra a população espoliada gerou violência contra os donos do poder.