domingo, 29 de setembro de 2013

O mensalão PSDB-MG é lindo


O mensalão do PSDB-MG é mesmo um caso especial.

Criado em 1998 para ajudar a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, até hoje o julgamento não ocorreu.  

A primeira e única condenação acaba de sair. Atingiu um banqueiro do Rural, condenado a 9 anos. Mas a lei lhe confere o direito de pedir recurso, o que quer dizer que tem 50% de chances matemáticas de provar sua inocência em segunda instância. Ninguém ficou indignado com isso, nem achou que seria uma ameaça às instituições ou um estímulo a criminalidade. 

Tudo em paz, ao contrário do que ocorreu com os petistas, que não têm direito a apresentar um recurso pleno, equivalente a um segundo julgamento. Mesmo assim, fez-se um escândalo contra os embargos infringentes.

domingo, 22 de setembro de 2013

Fotos e fatos - O fim do Conselheiro

O cadáver de Antônio Conselheiro em foto de Flávio de Barros

Por Cléber Sérgio de Seixas


O desfecho da Guerra de Canudos é uma das mais fatídicas páginas de nossa História. Ao fim da campanha militar do Exército brasileiro no Arraial de Canudos (BA), em 05 de outubro de 1897, aproximadamente 25 mil jaziam mortos, muitos deles prisioneiros sumariamente submetidos a degola pelos militares.

Para documentar a campanha, o Exército destacou o fotógrafo expedicionário Flávio de Barros. Sob o comando do general Carlos Eugênio Guimarães, Barros partiu da capital, Salvador, em 30 de agosto de 1897, chegando a Canudos em 26 de setembro daquele ano, quatro dias depois da morte líder de Canudos, Antônio Conselheiro.

A mais importante fotografia de barros do conflito é aquela em que retrata o cadáver de Antônio Conselheiro, encontrado no dia 06 de outubro sob os escombros de uma igreja por ele projetada. Depois de fotografado, o corpo teve a cabeça decepada e levada para a Escola de Medicina da Bahia, tendo ficado exposta no Museu de Medicina Legal dessa instituição até 1905. 


A mídia que esperneia

Por Jeferson Malaguti Soares

Quando nossa mídia esperneia pela sua liberdade, acusando o Governo Federal de querer regulá-la, ela tem toda razão. Regular a imprensa significa tirar dela a irresponsável  liberdade que permite que minta, que invente, que crie fatos, que influencie a opinião pública contra as autoridades constituídas, que manipule a notícia, que esconda as mazelas da oposição, que privilegie o individualismo capitalista contra ações coletivas de programas sociais do governo.

A mídia nacional, com raras e honrosas exceções, a revista Carta Capital é uma delas, banalizou a profissão de jornalista, ridicularizou os antigos e corretos profissionais do ramo, deu-se o direito de manipular fatos, inventar notícias, criar campanhas para desacreditar pessoas.  Engajou-se na mais retrógrada organização político-ideológica, aquela que privilegia exclusivamente interesses econômicos de rentismo do capitalismo neoliberal.

O jornalista da grande mídia desempenha sua  função ostentando a ideologia dos patrões, suas opiniões e preferências. Não tem hoje o jornalista o espírito crítico e  imparcial que deveria predominar  na independência do desempenho de sua atividade. Não pode assumir compromisso apenas com a isenção na cobertura dos fatos e não pode ter liberdade de expressão, já que sofre censura dentro de sua própria redação. Não lhe é permitida responsabilidade moral pelas informações que coleta e transmite.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Merval e Sardenberg vão beber um vinho azedo

Por Miguel do Rosário no blog O Cafezinho

Os golpistas e suas marionetes togadas fingiram ignorar nossas advertências sobre os erros grotescos da Ação Penal 470.

Quando não puderam mais abafar nossa voz, passaram a nos ridicularizar e agredir. O Globo publicou vários editoriais duramente ofensivos à blogosfera.

Ao invés de investigar corporações bilionárias que se consolidaram recebendo ajuda ilegal de governos estrangeiros, apoiando golpes de estado, e praticando uma vergonhosa sonegação de impostos, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes, também preferiu nos agredir.

Há uma frase de Gandhi que venho guardando há tempos para citar em momento oportuno. É chegada a hora.

“Primeiro eles te ignoram, depois caçoam de ti, depois tentam te sabotar. E então você ganha”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O que é o 'clamor popular'?


Resolvida, pelo Supremo Tribunal Federal, a questão do recurso chamado embargo infringente, resta na mídia a discussão sobre os efeitos políticos da decisão. Especula-se agora se e como a extensão do julgamento, que pode reduzir as penas de alguns dos condenados, poderá influenciar no resultado da eleição presidencial de 2014. E mais uma vez, nas páginas dos jornais, as vontades se sobrepõem à realidade e as opiniões se amontoam sobre os fatos, no festival de lamentações de articulistas políticos subitamente elevados à condição de jurisconsultos.

Primeiramente, vamos aos fatos: o voto do ministro Celso de Mello, que definiu a realização de novas sessões para apreciar recursos de 12 dos 24 condenados, foi considerada por alguns analistas como um modelo de fundamentação jurídica. Por outros, foi apontado como a porta aberta para a impunidade.

Compare-se, em integridade e prudência, seu longo arrazoado ao justificar o voto, com a frase maliciosa e ressentida de outro ministro, Gilmar Mendes, proferida ao final da sessão de quarta-feira (18/9): “Posso indicar uma pizzaria para vocês”, disse Mendes a jornalistas.

Essa diferença de comportamento é que delimita os campos entre os quais balançou a Suprema Corte ao deslizar sobre a lâmina da subjetiva a respeito da aceitação ou não dos embargos infringentes.

sábado, 14 de setembro de 2013

Novatos, velhos e velhacos



Por Rodrigo Vianna em seu blog


O inesquecível ”doutor” Ulysses Guimarães certa vez foi acusado – por um idiota qualquer – de ser aquilo que de fato era: “velho”. Ulysses saiu-se com a sagacidade de sempre: “posso ser velho, mas não sou velhaco”.

Esta semana, o ministro do STF Marco Aurelio Mello pensou que poderia diminuir a importância de outro ministro se o chamasse de “novato”. Transitando entre o escárnio e o tom falsamente professoral, Marco Aurelio defendia a tese de que os ”embargos infringentes” não devem ser aceitos.

São eles, os embargos, que podem cumprir o papel de uma “segunda instância” – corrigindo eventuais erros no processo do “Mensalão”. Melo foi aparteado por um Gilmar Mendes com o olhar injetado de ódio. Os dois alongaram-se em argumentos contra os embargos. Entre eles, destacaram o clamor de certa “opinião pública”.

Podemos imaginar qual a “opinião” que interessa a esses ministros. Trata-se da opinião de mervais e outros imortais? Ou da opinião de blogueiros insuflados por longas carreiras sempre cheias de brilho?

O ministro Luís Roberto Barroso, que votara pela aceitação dos embargos, pediu aparte e disse a Melo que, ao tomar a decisão, não se importava com a manchete do dia seguinte. Deu o recado. Foi então chamado de “novato”.

Se Barroso é “novato”, quem seriam os “velhos” do STF? E os ”velhacos”?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O 11 de setembro chileno e os Chicago Boys

Pinochet (à direita) e Friedman (de terno escuro)

Por Cléber Sérgio de Seixas

As teorias de Milton Friedman deram a ele o Prêmio Nobel; ao Chile, elas deram o general Pinochet” (Eduardo Galeano, Dias e noites de amor e de guerra, 1983).

Em 1970, Salvador Allende chega ao poder no Chile após derrotar Jorge Alessandri por 53 votos a 35. Sua gestão adotou uma série de políticas de cunho popular e social. Nos primeiros 18 meses de seu governo nacionalizou as grandes minas de cobre, ferro, nitrato, carvão e cimento, estatizou praticamente todos os bancos nacionais e estrangeiros, levou a cabo uma reforma agrária que expropriou cerca de seis milhões de hectares de terras cultiváveis e, de forma geral, melhorou muito a vida dos chilenos, sobretudo os mais pobres. Isso despertou a ira não só da burguesia nativa, como também dos EUA.

No dia 4 de março de 1973 - portanto seis meses antes do coup d'Etat que deu cabo à via pacífica para o socialismo e a um ciclo democrático que perdurou por 30 anos, nos quais sempre houve eleições parlamentares no Chile, polarizadas entre os partidos Democrata Cristão e Nacional, à centro-direita, e os partidos de esquerda agrupados na Unidade Popular. 

Caso obtivesse 2/3 dos assentos do parlamento naquele pleito, a oposição poderia afastar Allende do poder. Para tal, no entanto, precisaria de mais de 60% dos votos. Apesar de alguns meios de comunicação, na ocasião, terem anunciado a vitória da oposição antes do término do escrutínio, no final ficou clara a vitória da Unidade Popular, que obtivera 43,4% dos votos válidos, aumentando seu número de cadeiras no parlamento.

Em função de tal derrota, a oposição buscaria outros caminhos além da via eleitoral para afastar Allende do poder. Seu governo passaria a sofrer toda a sorte de boicotes: ministros foram afastados através de manobras da oposição, propostas do Executivo foram derrotadas pelos Congresso oposicionista, sabotagens na distribuição de alimentos, greves no setor de transporte organizadas por setores patronais, levantes de estudantes cooptados pela direita, greve dos mineiros da mina de cobre de El Teniente, uma das maiores do país etc. Além disso, nos primeiros meses de 1973, as importações dos EUA ao Chile cairiam a 15% do total. Na verdade, desde que Allende chegou ao poder, os Estados Unidos mantinham um bloqueio econômico que sufocava o país.