terça-feira, 18 de junho de 2013

O futuro se escreve nas ruas

 Foto: Estadão

Por Rodrigo Vianna em seu blog

Às 19h já era possivel afirmar que a onda de manifestações pelo Brasil é a maior desde o movimento pelo impeachment de Collor. 40 mil pessoas em São Paulo (e crescendo). Outras 40 mil no Rio de Janeiro. Belo Horizonte teve milhares nas ruas, com bombas jogadas dos helicópteros pela PM mineira. Em Brasília, a marcha avançava em direção ao Congresso Nacional.

Tudo isso acontecendo e a Globo passava novela das sete. Fingia que nada estava acontecendo no Brasil. Talvez, para não estragar a Copa das Confederações. Os jovens nas ruas parecem ter deixado a direita indignada e a esquerda perplexa. Ninguém entendeu nada.

Durante o dia, setores do conservadorismo mudaram o discurso. Arnaldo Jabor, que na semana passado havia avacalhado os manifestantes com um comentário boçal no ar, mostrava-se arrependido (ou foi o “comitê central” global que mudou as orientações?), pediu até desculpas. Outros comentaristas da CBN pareciam confiantes na estratégia de levar Dilma para o centro dos protestos. Mesmo assim, a Globo escondia as manifestações. Tudo confuso. A família Marinho parecia não saber bem pra que lado correr.

domingo, 2 de junho de 2013

A mídia que nos assalta

Por Jeferson Malaguti Soares*

Lendo o artigo "Os assaltantes", de autoria de Claudio Bernabucci, e publicado na edição 749 da excelente revista  semanal CARTA CAPITAL – sugiro às pessoas de bem assiná-la – me veio a ideia de resumí-lo e apresentar aqui neste blog, haja vista a clareza e a simplicidade com que o autor desconstrói o recorrente argumento da oposição, devidamente ancorado pela mídia golpista brasileira,  sobre a insuportável carga de nosso fisco.

“Temos a maior carga tributária do mundo”, “Pagamos impostos suecos para serviços dignos do Afeganistão”, são manchetes quase diárias em nossa imprensa. Pois bem, sobre isto, Bernabucci  replica com os seguintes argumentos:

- Os privilegiados são os que mais reclamam e os que pagam menos impostos;

- Nossa carga tributária, que em 2012 foi da ordem de 36%, é bem menor que a da Europa, que hoje está em mais de 40%, tocando 45% na França e 46% na Alemanha, até chegar aos 55%  no caso da Suécia;

- Nos Estados Unidos, parâmetro para tudo que é bom no mundo segundo nossa mídia, aparentemente se paga menos imposto: 28%. Mas, aprofundando a análise deste percentual em relação à contribuição per capita, conclui-se que os estadunidenses pagam cerca de US$13.550 de imposto ao ano, enquanto nós brasileiros pagamos no máximo 4.000;

- Ignorar que no Brasil os ricos pagam menos impostos que os pobres, além de ignorância e  preconceito,  indica pura má-fé;

- Os donos da mídia e os ricos controlam o parlamento brasileiro e impedem qualquer reforma fiscal mais equilibrada e democratizante;

- O destinatário do imposto é o Estado e não o governo vigente, como quer fazer crer, levianamente, a mídia nacional.

O articulista termina seu artigo com uma frase tão bombástica quanto verdadeira: “os verdadeiros assaltantes do bem-estar social são os ricos, em prejuízo dos pobres”.

Gostaria que o Claudio Bernabucci tivesse citado também que nos governos FHC a carga tributária brasileira era a mesma de hoje e os serviços muito piores, inclusive sem quase nenhuma inclusão social da classe menos privilegiada.

Por que a imprensa tupiniquim nada fala sobre isto?  Naquele período, 1995 a 2002, como acontece em todos os governos neoliberais, os pobres foram separados em um mundo à parte, para digladiarem entre si, enquanto os ricos assistiam de camarote, como na Roma antiga. O que nossos burgueses de hoje reclamam é que os pobres estão deixando a miséria e pagando imposto de renda.

Outro dia, político de direita me perguntou até quando vamos usar os fatos dos governos FHC para divinizar a era Lula/Dilma. Respondi de bate pronto: para sempre, pois um povo que esquece seu passado corre o risco de repetir os mesmos erros no futuro. Nunca mais queremos governos neoliberais conservadores, que levaram a Europa e os EUA à crise que se arrasta há 5 anos, sem previsão de um final feliz. Nunca mais queremos pessoas irresponsáveis que enxergam apenas o próprio umbigo nos dizendo o que fazer e o que não fazer. Nunca mais podemos suportar o peso da discriminação social que nos remete a uma categoria de pessoas de segunda classe. Nunca mais queremos ser conduzidos por seres concupiscentes, epicuristas, levianos, e muito menos por corrompidos, mesmo que galantes e sorridentes.

Os governos populares que há dez anos nos cumulam de esperanças, reduziram a miséria, o analfabetismo, a alta taxa de mortalidade infantil, facilitaram a maior integração de grupos étnicos e raciais diferenciados, permitindo que se identificassem “organismos sociais” plenamente integrados e homogêneos, e nos deram novo entendimento acerca do conceito de cidadania.  Além de estimular nossa autoestima frente ao respeito com que o mundo nos enxerga agora.

A mídia nos assalta num crime irremissível, de implicações éticas, corporativistas, partidaristas e, engajamento à direita, na ausência de pluralismo.  Sem citar a dependência econômica de setores da sociedade, arrendada por políticos da oposição que usam o dinheiro público para comprar o silêncio sobre suas mazelas. Tudo isto nos que levou à discriminação racial e social de nossos cidadãos menos favorecidos, relegando-os ao obscurantismo da ignorância política. Nunca mais queremos isto para nosso povo. Nunca mais.

* Jeferson Malaguti Soares é membro do Comitê Político do PCdoB de Ribeirão das Neves/MG