quinta-feira, 30 de julho de 2009

Histórias do Poder - Segunda parte - A Batalha pelo Voto

Segunda parte do documentário Histórias do Poder



Fonte: TV Câmara

OPERAÇÃO MANUMISSÃO

Por Cléber Sérgio de Seixas

Em pleno século XXI causa assombro e perplexidade saber que o trabalho escravo e semi-escravo ainda existe. Principalmente nos rincões distantes dos grandes centros urbanos podemos assinalar que a prática é mais comum do que acreditam os mais otimistas. O homem do campo é presa fácil dos aproveitadores de plantão devido à sua baixa escolaridade e às precárias condições de fiscalização das condições de trabalho nas regiões remotas por parte dos órgãos competentes.

Talvez alguns leitores não se lembrem do episódio que ficou conhecido como Chacina de Unaí, no qual três fiscais do Ministério do Trabalho e um motorista foram assassinados a mando dos irmãos Norberto e Antério Mânica. O crime teria sido em represália às várias multas que os fiscais aplicaram em função dos flagrantes, constantes e reincidentes desrespeitos à legislação trabalhista, eufemismo para trabalho escravo. Norberto Mânica, ainda hoje, é conhecido na região como “rei do feijão” e seu irmão, Antério, pasmem, é o atual prefeito da cidade de Unaí. Até hoje os réus não foram a júri.

É sabido que nas cidades interioranas, sobretudo nas regiões rurais, há quem se aproveite da falta de instrução dos trabalhadores rurais para enganá-los das formas mais ultrajantes. No dia 24 e 26 de junho deste ano este blog replicou matérias que foram veiculadas pelo jornal online Folha de Guanhães (leia aqui a matéria da Folha de Guanhães do dia 24 e aqui a do dia 26). As matérias (cliquem aqui e aqui para ler as matérias no Blog) reportavam uma operação da polícia civil levada a cabo na cidade de Sabinópolis, situada a 282 Km de Belo Horizonte, próximo à cidade de Guanhães.

Chefiada pelo delegado Welbert de Souza Santos, a Operação Manumissão, também conhecida como Operação Alforria – batizada assim exatamente pelo caráter libertário a que se propõe – é uma resposta às várias denuncias de trabalhadores rurais vitimados pela ação criminosa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sabinópolis. O modus operandi dos sindicalistas, basicamente, consta da enriquecimento ilícito decorrente de apropriação indébita de parcelas de aposentadorias dos trabalhadores rurais. Além disto, as investigações apontam para uma variedade de crimes, tais como constrangimento ilegal, estelionato, formação de caixa dois, falsidade ideológica, formação de quadrilha e outros. Afonso da Aparecida dos Santos, diretor e presidente do sindicato investigado, está no cargo há aproximadamente 20 anos, o que por si só consiste em forte indício de formação de quadrilha. No quadro de funcionários do sindicato se encontram familiares do presidente, tal como esposa e filhos, todos ocupando cargos remunerados. Logo no seu primeiro dia a Manumissão apreendeu farta documentação, além de dinheiro, computadores e até um cofre, que teve de ser removido pois não pôde ser aberto no local.

Aqueles que calejaram as mãos por anos a fio, ansiosos por cessarem a labuta e aposentarem-se, deparam, no fim de uma longa e penosa jornada laboral, com gente inescrupulosa, criminosa e aproveitadora. Na matéria da rede de televisão Record, que vocês assistirão abaixo, um casal de aposentados rurais, que esperava receber cerca de seis mil reais de aposentadoria, e com tal quantia planejava reformar a casa, teria recebido somente mil e setecentos reais, já que a diferença teria sido "surrupiada" pelos integrantes do sindicato criminoso.

Sabemos que justiça no Brasil é lenta, no entanto cabe aos cidadãos de bem que porventura souberem de mais ilicitudes praticadas pelo sindicato alvo da Operação Manumissão, fazerem suas partes e colaborarem com as autoridades encarregadas das investigações, dentre as quais o delegado Welbert de Souza, de forma a mandar para a cadeia gente que se aproveita da falta de instrução de gente humilde para enriquecer.

Nos rincões do Brasil muitos ainda precisam ser alforriados do trabalho escravo e dos enganos a que são submetidos por bandidos travestidos de sindicalistas e empresários. Assim sendo, operações como a Manumissão deveriam ser levadas a cabo com mais freqüência, e, sobretudo, noticiadas pela grande mídia, de forma a coibir a ação de outras quadrilhas Brasil afora, já que tal tipo de crime é mais comum do que se supõe.

Reportagem da Record cobrindo a Operação
video

quarta-feira, 29 de julho de 2009

HISTÓRIAS DO PODER - PRIMEIRA PARTE

Reproduzirei aqui um excelente documentário que a TV Câmara disponibilizou. Trata-se de Histórias do Poder, uma co-produção SESCTV, TV Cultura, NBR e TV Nacional. O documentário foi dividido em 5 partes que contam, cada uma, um aspecto da história da política brasileira. Veicularei aos poucos cada uma das cinco partes que compõem o documentário. Fiquem com a primeira.



Fonte: TV Câmara

OS CHACAIS DE GUARDA

Por Emir Sader

O que seria dos interesses das elites dominantes, se não contassem com escribas, pagos pelas empresas de mídia privada, para tentar fazer passar esses interesses com se fossem os interesses do país? Para isso eles contam com equipes de “cães de guarda”, que defendem, com unhas e dentes, os interesses das elites dominantes, especialmente concentrados na mídia.

Tentam, por exemplo, identificar a liberdade com a liberdade do capital, condenando qualquer forma de limitação à sua livre circulação. Tentar identificar liberdade com a existência da grande propriedade privada, opondo-se a qualquer definição de critérios sociais para a propriedade, especialmente a monopólica e a propriedade não produtiva no campo, opondo-se a qualquer tipo de ação de socialização da propriedade. Porque essas próprias empresas são monopolistas.

O filósofo francês Paul Nizan escreveu um livro, em 1932, a que deu o nome de “Cães de guarda” para se referir aos intelectuais que prestam serviço de promover legitimidade e dar razões de sobrevivência ao poder das elites dominantes. “Eles adorariam ser Zola, mas para acusar as vítimas...”, escreve Serge Halimi, no prefácio da edição mais recente do livro, mencionando como esses guardiães da ordem estabelecida adoram estar de acordo com seus patrões, acusando os pobres, os marginalizados, as vítimas do sistema, como se fossem verdugos. “Quanto à sua obra, ela se autodestrói um quarto de segundo depois do tiro de morteiro midiático...”, acrescenta Halimi.

Na introdução do livro de Halimi, “Os novos cães de guarda” – publicado no Brasil pela Jorge Zahar -, Pierre Bourdieu recorda como trabalhos de denuncia desse tipo contribui a “arruinar um dos suportes invisíveis da prática jornalística, a amnésia...” E se pergunta: “por que, de fato, os jornalistas não deveriam responder por suas palavras, dado que eles exercem um tal poder sobre o mundo social e sobre o próprio mundo do poder?”

Mas, entrando já diretamente nos chacais de guarda daqui – para não ofender aos cães -, se tiverem paciência, olhem alguns dos livros que decretaram o fim do governo Lula em 2005. Uma jornalista que insiste em fazer comentários sem voltar sobre o que disse ontem, sustentava seu livro oportunista para ganhar dinheiro e agradar seus patrões com a crise de 2005, apoiada por outro colunista que come nas mesmas mãos, que reiterava essa morte do governo na contracapa do livro. Como não tem compromisso algum com o que escrevem, que só se justifica pelos serviços prestados a seus empregadores, fontes e outros representantes das elites dominantes, seguem em frente como se não tivessem dito nada ontem, como seguirão amanhã fingindo que não disseram nada hoje. Não são mais do que ventríloquos dessas elites.

Indo mais longe: a imprensa que convocou os militares a dar golpe militar, apoiou a derrubada do governo legalmente constituído de Jango e sustentou o golpe militar, inclusive reproduzindo as versões mentirosas que escondiam os seqüestros, as torturas e os fuzilamentos dos opositores, segue de acordo com as posições que tiveram. Um dos jornais, que emprestou seus carros, para que os órgãos repressivos da ditadura atuassem disfarçados de jornalistas, nem sequer tentou se defender das gravíssimas acusações, que faz com que a empresa, os jornais que publicam e os membros dos comitês editoriais, tenham as mãos sujas de sangue pelos seqüestros, torturas e execuções da ditadura. Ao não fazerem autocrítica, automaticamente aceitam ter cometido esses crimes de lesa democracia e jornalismo minimamente objetivo.

Essa mesma mídia vive acusando o povo de “não ter memória”. Talvez seja essa a razão pela qual elegem e reelegem os lideres políticos execrados diariamente pela mídia, porque hoje não obedecem a seus desígnios.

Mas são eles os primeiros a cultuarem a falta de memória, a amnésia, de todos, ao esquecer o que disseram ontem. Estiveram a favor da ditadura, com que moral acusam governos e partidos de não ser democráticos?

O que dizem os empregados de uma empresa que praticamente nasceu durante a ditadura, foi o órgão oficial da ditadura? Que legitimidade acreditam que podem ter órgãos dessa empresa?

Um dos colunistas de um dos jornais da imprensa de propriedade de uma das poucas famílias que dominam de forma monopolista o ramo, se orgulha de nunca ter ido aos Forúns Sociais Mundiais, por ter ido a todos os Foruns de Davos – onde manifestamente ele se sente no seu mundo. Seria bom ele ouvir agora os arautos da globalização – incluído seu prócer FHC – para saber o que pensam da crise atual, provocada por suas políticas. Teria que se deslocar não a Davos, mas algumas prisões, onde alguns deles foram encarcerados, depois de reveladas suas trapaças – alias, nenhuma delas revelada pela imprensa, conivente e complacente com o ricaços de Davos.

Um outro jornalista disse, em outro momento da sua carreira, em conferência pública, que quando um jornalista senta para escrever uma matéria, pensa, em primeiro lugar, no dono da empresa; em segundo, nas fontes do que vai publicar; em terceiro na enorme quantidade de desempregados do lado de fora da empresa. A esse filtro haveria que acrescentar as agências de publicidade e os grandes grupos econômicos que financiam os órgãos de imprensa e acabam pagando os seus salários.

Foi se criando uma verdadeira casta de jornalistas, empregados dos maiores meios de imprensa no Brasil, promíscuos com o poder, que renunciam a qualquer ataque aos interesses do poder que dominou o país durante séculos: capital financeiro, grandes monopólios, latifundiários, as próprias grandes empresas monopólicas da mídia, o imperialismo norteamericano, o FMI, o Banco Mundial, a OMC, a direita política – Tucanos, DEM, FHC, Serra, Tasso Jereissatti, Jarbas Vasconcellos.

Preferem, para conveniência de seus empregos e dos interesses dos seus patrões, atacar o que incomoda à direita – sindicatos, o MST, o pensamento critico, as universidades publicas, os partidos de esquerda.

Além dos casos mencionados, há os pobres diabos que querem adquirir certo verniz “intelectual” – não agüentam a inveja do pensamento crítico – e citam autores, viajam pelo mundo em eventos sem nenhuma importância, escrevem em jornais e falam em rádios e TVs, sem nenhum prestigio, colunas que ninguém leva a sério ou mesmo lê. Um deles foi chefe de gabinete de um dos ditadores, depois foi demitido, fotografado na cama para a Playboy, tentando mostrar méritos que não conseguiu na política e que circulava nos governos anteriores com toda promiscuidade pelos ministérios e Palácio do Planalto – de que esse tipo de gente sentem uma falta danada.

A ideologia do “’quarto poder” se tornou antiquada, porque o monopólio da mídia privada detém muito mais poder do que isso, termina dando direção ideológica e política aos fracos partidos opositores. Claro que o que realmente não são é “contra-poder”, porque na verdade fazem parte intrínseca dos poderes constituídos, como força conservadora.

Como a noticia se transformou definitivamente em uma mercadoria na mão dessa casta, perdeu toda credibilidade. Conhece-se o caso de colunistas econômicos que fingem estar preocupados com a situação de um setor do empresariado, ao vendem reunião e assessoria com eles, em troca de defender mais explicitamente seus interesses. Se devem às suas fontes, a tal ponto que a editoria econômica passou a ser a mais comprometida com os interesses criados, de forma similar a como certa cobertura policial se deve às fontes nas delegacias e nas policias, sem as quais ficam sem seus “furos”.

“Quem paga, comanda”, recorda Halimi. E a mídia, como sabemos é financiada não pelos leitores com as compras na banca e as assinaturas, mas pelas agencias de publicidade. E vejam quem são os grandes anunciantes, com os quais a mídia tem o rabo preso – bancos, telefonias, fabricas de automóveis, etc. Não pelas organizações populares, sindicatos, centros culturais, nada disso. Quem paga, comanda. Já vieram jornais, rádiosm televisões, colunistas, fazem campanha de denuncia – com um pouquinho da sanha que tem contra o governo e a esquerda – contra os bancos, suas falcatruas, contra as grandes corporações mutlinacionais, contra a lavagem de dinheiro nos paraísos fiscais? Nâo, porque seria tiro no pé, atentado contra os que financiam a essa mídia.

Perguntado sobre como a elite controla a mídia, Chomsky respondeu: “Como ela controla a General Motors? A questão nem se coloca. A elite não tem que controlar a General Motors. Ela lhe pertence. Albert Camus disse que a mídia francesa se tornou “a vergonha do país.” E a nossa? O Brasil e seu povo têm orgulho ou vergonha dessa mídia que anda por ai?

A lei apresentada pelo governo argentino para regulamentar o audiovisual – umas das razões da brutal ofensiva da imprensa de lá contra seu governo – determina que as empresas da mídia tem que declarar publicamente suas fontes de financiamento – quem as financia, com que quantidades de dinheiro. Poderiam aproveitar e declarar publicamente quanto ganham os magnatas dessa casta midiática, enquanto a massa dos jornalistas ganha uma miséria, é terceirizado e passível a qualquer momento de serem mandado embora, se não cumprem à risca as orientações que os chacais lhes impõem.

Um jornalista norteamericano citado por Halimi, disse: “Sobre as questões econômicas (impostos, ajuda social, política comercial, luta contra o déficit, atitude em relação aos sindicatos), a opinião dos jornalistas de renome tornou-se muito mais conservadora à medida que suas rendas foram aumentando”.

Quem discorda dos consensos que tentam impor nos seus desagradabilíssimos e redundantes programas de entrevistas ou suas colunas de merchandising , como se sabe, é chamado de “populista”, de “demagogo”, de “aventureiro”. Que são, como também se sabe, os governantes que fazem políticas sociais e têm alto nível de apoio da população. Por isso chamam sempre os mesmos, seus amigos, operadores das bolsas de valores, empresários que passam a lhes dever favores, para dizer as mesmas baboseiras que a realidade não se cansa de desmentir.

“Mídias cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação cada vez mais medíocre” –conclui Halimi. E cita um político de direita francês, Claude Allègre, sobre as possibilidades do meio midiático se reformar: “Eu vou lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que jamais fui marxista: porque não há interesse... Por que vocês queriam que os beneficiários dessa situação sintam necessidade de mudá-la?” E, para concluir, conforme se aproxima a Conferencia Nacional de Comunicação, declaração do também conservador jornalista Frances Jacques Julliard: “Uma das reformas mais urgentes neste país, seria aquela que pudesse dar às mídias um mínimo de seriedade e de dignidade. Sobretudo de dignidade!”

Originalmente publicado no Blog do Emir

domingo, 26 de julho de 2009

FOME DE JUSTIÇA

Por Frei Betto

Somam hoje 950 milhões as pessoas ameaçadas pela fome crônica. Eram 800 milhões até 2007. De lá para cá o número aumentou, devido à expansão do agronegócio, cujas tecnologias encarecem os alimentos, e a maior extensão de áreas destinadas ao cultivo de agrocombustíveis, produzidos para saciar a fome de máquinas e não de gente.

A fome é o que há de mais letal inventado pela injustiça humana. Causa mais mortes que todas as guerras. Elimina cerca de 23 mil vidas por dia; quase 1.000 pessoas por hora! As crianças são as principais vítimas.

Quase ninguém morre por falta de alimentos. O ser humano suporta quase tudo: políticos corruptos, humilhações, agressões, indiferenças, a opulência de uns poucos. Até o prato vazio. Por isso ninguém morre da falta completa de alimentos. Os famélicos, quando nada têm para comer, levam à boca, para enganar a fome, restos catados no lixo, lagarto, rato, gato, tanajura e variados insetos. A falta de vitaminas, carboidratos e outros nutrientes essenciais debilita o organismo, torna-o vulnerável às enfermidades. Crianças raquíticas morrem de simples resfriado, privadas de defesas.

Há apenas quatro fatores de morte precoce: acidentes (de trabalho ou trânsito); violência (assassinato, terrorismo ou guerra); enfermidades (aids ou câncer); e fome. Esta produz o maior número de vítimas. No entanto, é o fator que menos suscita mobilizações. Há sucessivas campanhas contra o terrorismo ou pela cura da aids, mas quem protesta contra a fome?

Os miseráveis não fazem protestos. Só quem come entra em greve, vai às ruas, manifesta em público descontentamento e reivindicações. Como essa gente não sofre ameaça da fome, os famintos são ignorados.

Agora, os líderes das nações mais ricas e poderosas do mundo, reunidos no G8, em L’Aquila, Itália, no início de julho, decidiram liberar US$ 15 bilhões para aplacar a fome mundial.

Como o G8 é cínico! Ele é o responsável pelos famintos serem multidão. Eles não existiriam se as nações metropolitanas não adotassem políticas protecionistas, barreiras alfandegárias, transnacionais de agrotóxicos e de sementes transgênicas. Não morreriam de fome cerca de 5 milhões de crianças por ano se o G8 não manipulasse a OMC, não incentivasse a desigualdade social e tudo isso que a aprofunda: o latifúndio, a especulação dos preços dos alimentos, a apropriação privada da riqueza.

Apenas US$ 15 bilhões! Sabem quantos esses senhores e senhoras do G8 destinaram para salvar - não a humanidade - mas o mercado financeiro, de setembro de 2008 a junho de 2009? Mil vezes esta quantia! US$ 15 bilhões servem apenas para oferecer uns caramelos a alguns famintos. Sem contar que boa parte desses recursos irá para o bolso dos corruptos ou servirá de moeda de troca eleitoral. Dou-lhe um pão, dá-me um voto!

Se o G8 tivesse de fato intenção de erradicar a fome no mundo, promoveria mudanças nas estruturas mercantilistas que regem a produção e o comércio mundiais, e canalizaria mais recursos às nações pobres que aos agentes do mercado financeiro e à indústria bélica.

Se os donos do mundo quisessem realmente acabar com a fome, eles tornariam o latifúndio um crime de lesa-humanidade e permitiriam a livre circulação de alimentos, assim como ocorre com o dinheiro. Do mesmo modo, se tivessem mesmo o propósito de erradicar o narcotráfico, em vez de prender uns poucos traficantes, poriam suas máquinas de guerra para destruir definitivamente os campos de plantação de maconha, de coca, de papoula e de outros vegetais, transformando-os em áreas de agricultura familiar. Sem matérias-primas, não há traficante capaz de produzir droga.

Dizer que o G8 intenciona acabar com a fome ou salvar o planeta da degradação ambiental equivale a esperar que, no próximo Natal, Papai Noel traga de presente uma vida digna a todas as crianças pobres. O cinismo é tanto que os líderes mundiais prometem estabelecer bases de sustentabilidade ambiental a partir de 2050.

Ora, se a natureza algo ensina de óbvio é que, a médio prazo, estaremos todos mortos! Se a Terra já perdeu 25% de sua capacidade de autorregeneração, o que acontecerá se a humanidade tiver que esperar mais 40 anos para que se tomem medidas eficazes?

Se aqueles que não passam fome tivessem, ao menos, fome de justiça, virtude qualificada por Jesus como bem-aventurança, então a esperança em um futuro melhor não seria vã.

Fonte: site Adital

UMA EPIDEMIA MAIS GRAVE QUE A GRIPE SUÍNA: A DE MAU JORNALISNO

Por Celso Lungaretti

Uma epidemia muito pior que a gripe suína está grassando: a do alarmismo jornalístico.

A nova modalidade de influenza é uma moléstia que ainda não atingiu contingentes mais significativos da população brasileira, além de bem pouco letal.

Mas, trombeteando dia após dia a mórbida contagem de cadáveres, o noticiário causa, em leitores pouco afeitos a estatísticas, a impressão de que estejam diante de uma terrível ameaça.

Longe disto. Em comparação com as grandes pestes do passado, a gripe suína é refresco.

Vale lembrar, p. ex., que a gripe espanhola matou quase 2% da população brasileira, no final da década de 1920: aproximadamente 300 mil pessoas.

Pior ainda é se compararmos os dados da gripe suína com outras causas de mortandade. Aí o que fica evidenciado é a má fé da imprensa.

Vejam o caso da cidade de São Paulo: o número de óbitos ainda não chega a oito.

Pois bem, em maio eu alertei que a concentração criminosamente elevada de enxofre no diesel mata, somente em São Paulo, capital, 3 mil pessoas ao ano - ou seja, oito por dia!

Mas, como há interesses econômicos de grande monta envolvidos, o assunto é praticamente banido do noticiário.

Já o terrorismo midiático em torno da gripe suína tem sinal verde porque não afetou negócios importantes, pelo menos até agora. Só fez diminuir um pouco o turismo.

Vamos ver se a imprensa manterá o mesmo comportamento leviano caso o público venha a desertar consideravelmente das salas de espetáculos, comprometendo as receitas dos cadernos de variedades.

De resto, tenho a satisfação de louvar, mais uma vez, o corajoso trabalho do ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, que ousou neste domingo qualificar o estardalhaço promovido por seu jornal em torno da gripe suína como irresponsável.

Seu comentário é uma verdadeira aula de ética jornalística. Vale a pena reproduzir os principais trechos:

"A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.

"O título da chamada, na parte superior da página, dizia: 'Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses'. A afirmação é taxativa e o número, impressionante.

"Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.

"Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.

"O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde 'estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem (...) ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões'.

"É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.

"Mas não. Quem foi à página C5 (...) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).

"O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem 'adequadas' e que 'informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial'."

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS

Por Eduardo Guimarães

Você está indignado com José Sarney porque ele conseguiu um emprego no Senado para o namorado de sua neta? Ok, pode ficar indignado. O que se depreende do fato, claro, é que Sarney e sua família tratam cargos públicos como se fossem de sua propriedade.

O que você não tem direito de aceitar, porém, é que todos os outros homens públicos que usam a mesma prática, bem como a imprensa que só faz alarde desse tipo de caso quando lhe interessa, apontem o dedo única e exclusivamente para Sarney. Isso é hipocrisia do pior tipo.

No fim de março, por exemplo, descobriu-se que, tanto quanto o namorado da neta de Sarney, a filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Luciana Cardoso, recebia proventos do gabinete do senador pefelista Heráclito Fortes sem aparecer no Senado para trabalhar, e ainda recebendo mais de R$ 7 mil mensais por isso, fora os benefícios.

O assunto, porém, ficou nas páginas internas dos jornais por dois ou três dias e nem deu as caras na tevê. Pergunte-se por que...

Alguns expoentes da imprensa oposicionista tais como o colunista e blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, por exemplo, “explicaram” a situação da filha de FHC dizendo que não viam nada demais no caso, pois quando se trabalha em casa acabar-se-ia “trabalhando mais” do que no local de trabalho de fato.

Diante disso, a rebenta de FHC pediu “demissão” do emprego no qual não trabalhava, e foi só. O caso ficou por ali, ao menos na imprensa, o que suscita várias questões:

Por que, com o namorado da neta de Sarney, está sendo feito todo esse auê na imprensa se com caso até pior da filha de FHC (porque ela não aparecia para trabalhar) não aconteceu o mesmo? Aliás, por que Sarney está pagando sozinho pelo que atinge quase todo o Senado e os partidos de oposição e governistas?

Repito a questão: por que grandes jornais, tevês, rádios e blogueiros (Noblat, Josias, Esgoto etc) ligados a essa mídia aliada do PSDB e do PFL vêm dedicando 80% dos espaços que controlam a desancar Sarney se quando se descobriu fato tão grave quanto sobre a filha de FHC eles todos mal noticiaram o assunto?

E quando o PSDB, o PFL e a imprensa associam Sarney a Lula por este se revoltar contra o massacre seletivo àquele, será que partidos e meios de comunicação oposicionistas acham que conseguirão com isso abalar agora a popularidade do presidente apesar de que ataques muito piores a ele nos últimos 6 anos só fizeram sua popularidade subir?

Claro que não. O objetivo é derrubar Sarney e pôr o tucano Marconi Perillo no lugar dele para travar os projetos do governo no Senado, pois a Presidência da Casa tem esse poder. Daí, entraríamos no ano eleitoral de 2010 com o governo sem conseguir aprovar mais nada no Congresso, pois tudo que a Câmara baixa votar tem que ser ratificado pela Câmara alta.

Se não fosse assim, o noticiário falaria de todo nepotismo, de todos os desvios de que acusam Sarney, mas frisando que começam pelo presidente do Senado e se estendem a este, àquele e aquele senadores, citando um a um, o partido de cada um e ressaltando que, indiferentemente de partido político, região do país, ideologia etc., ninguém tem moral para criticar ninguém.

Mas não, o noticiário faz crer que a derrubada de Sarney terá o condão de pôr as coisas nos seus devidos lugares. Enquanto isso, essa mesma imprensa não cobra investigação do caso da filha de FHC, um dos mais críticos em relação a Sarney.

Para atingir esse objetivo, a coalizão formada por PSDB, PFL, Grupo Folha, Grupo Estado, Editora Abril, Organizações Globo, Rede Bandeirantes, TV Gazeta e todos os outros jornais, rádios e tevês afiliadas que gravitam em torno dos veículos nominados tratam de promover uma guerra psicológica contra a família Sarney.

O objetivo é abalar moralmente inclusive os membros mais frágeis dessa família para que pressionem o patriarca para que desista e eles sejam todos deixados em paz, pois a família deve estar no limite da exaustão mental, o que pode explicar, inclusive, a esposa do presidente do Senado, dona Marli, ter rolado de uma escada e fraturado a clavícula em cinco lugares nesta quinta-feira.

A neta de Sarney cuja voz aparece nas gravações divulgadas na quarta-feira é obviamente bastante jovem e provavelmente deve estar desmoralizada junto aos amigos, colegas de escola, vizinhos etc. É quase possível vê-la aos prantos junto da avó e do pai (este também alvo dos ataques) por ter participado de uma prática comum a tantos pares do avô que, apesar de terem usado tais expedientes, agora o acusam “indignados”.

A mesma guerra psicológica e hipócrita já foi desencadeada contra outros políticos acusados exclusivamente por práticas que, na verdade, são comuns a grande parte de seus acusadores na classe política, os quais, por integrarem os partidos aliados à imprensa que denuncia, são sempre poupados.

É uma guerra política. Se Lula ceder seu governo acabou, no que depender do Legislativo. Só poderá governar com o que não depender daquele Poder. O Senado barrará todas as iniciativas da Câmara, onde o governo federal tem maioria.

Essa é a razão para só estarem acusando Sarney por práticas que envolvem praticamente todos os seus pares, independentemente se de partido do governo ou da oposição. E aí cabe a cada cidadão decidir se é isso o que quer para o país, que seu governo fique manietado até 2011 num mundo que atravessa a pior crise econômica dos últimos 80 anos.

Vale lembrar que, se o governo não puder funcionar normalmente, o prejuízo será da população, sobretudo da população mais pobre, mas com efeitos nefastos em todas as classes sociais.

O que fazer, então? Deixar tudo como está para Sarney?

Bem, por mim, podem malhá-lo feito Judas, contanto que façam o mesmo com cada um dos que têm o mesmo tipo de supostos passivos “éticos” pesando contra si, a começar pela filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ou, então, locupletemo-nos todos.

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

A EXPANSÃO DA AREIA

Por Cléber Sérgio de Seixas

Conforme informei em outros posts, estou de férias no litoral sul baiano, na cidade de Prado. Estou deslumbrado com a beleza das praias da região e com a exuberância da orla. O povo da cidade é bem prestativo, sobretudo em dar informações. Os preços dos petiscos nas praias, como em tantas outras Brasil afora, é bem salgado, mas convenhamos, as pessoas que vivem do turismo têm que aproveitar a temporada para ganhar uns trocados.

Ontem, no início da tarde, por volta das 13, percebi que a maré começou a subir. Lá pelas 16 horas o mar já estava quase em estado de ressaca. O proprietário de uma barraca de petiscos que àquela altura estava praticamente tomada pela areia, contou-me que há mais ou menos dez anos o mar ficava a uns cento e cinqüenta metros dali. Observando melhor percebi fragmentos de alvenaria à beira mar. Dentre os detritos encontravam-se pedaços do outras barracas que outrora ofereciam seus serviços aos banhistas.

Logo atrás de onde se encontravam as barracas existe um lago cujas águas doces estão sendo gradualmente invadidas pelas águas salobras do mar – encontro fatal para o tipo de vida que habita o pequeno lago. Coqueiros caídos se multiplica pela praia, tombados pela falta de solo para sustentá-los. Nos arredores, observei uma rede e pensei tratar-se daquelas para jogar tênis. Uma observação mais apurada revelou que na verdade era a rede daquilo que um dia fora uma quadra de vôlei. Comentei com minha esposa que é bem possível que daqui a uns cinco anos todo o lago de água doce desapareça para dar lugar à praia e que eventos semelhantes podem estar ocorrendo em todos os litorais do mundo. Várias casas na região estão à venda, sobretudo aquelas localizadas à beira da praia.
Tal situação se deve às alterações climáticas que hoje assolam o meio-ambiente de todo o globo, e que são conseqüência direta do nosso modelo de sociedade. No último século castigamos o planeta numa intensidade maior do que nas várias centenas de séculos anteriores. As previsões para os próximos cem anos não são nada animadoras. O nível do mar deve subir vários centímetros, ameaçando cidades litorâneas e a população que vive e sobrevive nas mesmas.

Infelizmente pouco pode ser feito para reverter esse quadro em curto prazo. No entanto, para que resultados sejam colhidos nos próximos cinqüenta anos pelos nossos filhos e netos, ações devem ser levadas a cabo a partir de hoje. Por hora, o que podemos fazer é aproveitar as belezas naturais de nosso litoral sabendo que em pouco tempo belíssimas paisagens poderão desaparecer.

AS DITADURAS PODEM VOLTAR

Por Frei Betto

Todos os ditadores – de Hitler a Médici, de Batista a Stalin, de Franco a Somoza – passam à história como figuras execráveis, cujos nomes, estigmatizados, se associam às vitimas de seus governos tirânicos.

Aliás, Tirano era o comandante da guarda do rei Herodes. Seu nome tornou-se sinônimo de crueldade por se atribuir a ele a execução da ordem real de decapitar, em Belém, todos os bebês, entre os quais estaria Jesus se José e Maria não tivessem fugido com ele para o Egito.

A América Latina carrega em sua história longos períodos de supressão do regime democrático. No século 20, o Brasil conheceu dois: sob o governo Vargas (1937-1945) e sob o regime militar (1964-1985), sem falar dos que governaram sob Estado de sítio.

O paradoxo é que todas as ditaduras latino-americanas foram suscitadas, patrocinadas, financiadas e armadas pelo governo dos EUA. Até o mandato de George W. Bush, para a Casa Branca, democracia consistia numa panacéia, mera retórica política. Fala-se que nos EUA nunca houve golpe de Estado porque não há, em Washington, embaixada americana...

O recente golpe em Honduras, que resultou na deposição do presidente Zelaya, democrática e constitucionalmente eleito, coloca o governo Obama frente à hora da verdade. Ao receber a notícia, Hillary Clinton, secretária de Estado, vacilou. Talvez tivesse manifestado apoio aos golpistas se o presidente Obama, em viagem à Rússia, não houvesse reagido em defesa de Zelaya como legítimo mandatário.

Ainda assim, os EUA não suspenderam sua ajuda financeira e militar às Forças Armadas hondurenhas, que sustentam o ditador de plantão.

A política externa da Casa Branca trafega sobre o fio da navalha. Sabe que Zelaya está mais próximo de Chávez que dos falcões usamericanos que ainda comandam a CIA. Essa agência, especializada em terrorismo oficial, não foi devidamente saneada por Obama. E, agora, tenta justificar o golpe sob o pretexto, infundado, de que o presidente da Venezuela estaria prestes a remeter comandos militares a Honduras para derrubar os golpistas e devolver o mandato ao presidente Zelaya.

A América Latina conheceu significativos avanços políticos nas últimas duas décadas. Depois de destronar as ditaduras militares e rechaçar presidentes neoliberais – Collor no Brasil, Menem na Argentina, Fujimori no Peru, Caldera na Venezuela – demonstra preferência eleitoral por candidatos oriundos de movimentos sociais, dispostos a disputar o espaço das esferas de poder com os tradicionais grupos oligárquicos.

É verdade que o uso do cachimbo entorta a boca. Alguns mandatários, em nome da governabilidade, não têm escrúpulos em fazer concessões a velhos caciques políticos notoriamente corruptos, representantes de feudos eleitorais marcados pela mais extrema pobreza.

Quando um líder político de origem progressista se deixa cooptar pela oligarquia conservadora, o que está em jogo, de fato, não é a propalada governabilidade. É a empregabilidade. Perder eleição significa o desemprego de milhares de correligionários que ocupam a máquina do Estado. Nesses tempos de crise financeira, não é fácil inserir órfãos do Estado na iniciativa privada. Seria, para muitos, atroz sofrimento perder o cargo e, com ele, as mordomias, tanto materiais – transporte e viagens pagos pelo contribuinte –, como simbólicas – a aura de autoridade que desencadeia em torno ondas concêntricas de bajulação.

Todos sabemos que, hoje, no centro da vida política sobressai a questão ética. A maioria dos políticos teme a transparência. Por isso, muitos, descaradamente, agem por baixo dos panos, promulgam decretos secretos, cumpliciam-se em maracutaias, tratam como de somenos importância o fato de o deputado do castelo usar verba pública em benefício próprio, ou um senador, ex-presidente da República, incluir sua árvore genealógica na folha de pagamento custeada pelo contribuinte.

Se não se estancar essa deletéria convivência e conivência de lideranças outrora progressistas com velhos e corruptos caciques, não se evitarão a descrença na democracia, a deterioração das instituições políticas, a perda do senso histórico na administração pública. O que constitui excelente caldo de cultura para favorecer o retorno de ditadores salvadores da pátria.

Fonte: jornal Estado de Minas - 23 de julho

quarta-feira, 22 de julho de 2009

JUSTIÇA SEQUESTRA 27 FAZENDAS E 450 MIL BOIS DE DANTAS

Daniel Dantas e sua irmã Veronica têm participação ativa nas fazendas, segundo a PF. O responsável pela gestão, segundo a Polícia Federal, é Carlos Bernardo Rodenburg, ex-marido de Verônica e ex-diretor do Opportunity. A investigação sobre crimes financeiros descobriu listas de propriedes rurais, mapas de controles de gado e muitos gastos no campo .

Maior rebanho do mundo


O grupo Opportunity começou a investir maciçamente em terras e gado a partir de 2005. Seu tentáculo fundiário, a Agropecuária Santa Bárbara, é capaz de arrematar sozinha 10 mil cabeças de gado, mais de um terço do total orfertado num mega leilão em Cuiabá. O rebanho do Opportunity, de 450 mil cabeças, sobretudo de gado nelore, é tido como o maior do mundo.

A investigação aponta pelo menos 27 fazendas de gado: 23 delas ficam no sul do Pará, duas no norte de Mato Grosso, as de Minas Gerais (Uberaba) e São Paulo (Santo Antonio da Posse, região de Campinas) servem para produzir matrizes (veja o mapa). As propriedades somam 510 mil hectares. Desde a deflagração da Operação Satiagraha pela PF, um ano atrás, algumas delas foram ocupadas por movimentos de trabalhadores sem-terra.

Habeas corpus livraram banqueiro

O sequestro das propriedades rurais do Opportunity foi determinado pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, o mesmo que condenou Dantas em julho de 2008 e determinou sua prisão. O banqueiro escapou das grades graças a dois habeas corpus consecutidos, concedidos com fulminante rapidez pelo presidente do STF (Supremo Tribunal federal), ministro Gilmar Mendes.

A Polícia Federal afirma que o Opportunity já investiu mais de R$ 700 milhões em agropecuária, sendo Daniel Dantas responsável por mais de 20% deste valor: R$ 140 milhões. Segundo a PF, os negócios com terras e gado servem para lavar dinheiro de operações ilícitas.

A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, tentáculo do banqueiro no sul do Pará, também está sendo processada pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) por desmatamento ilegal de 51 mil hectares da Floresta Amazônica para a criação de gado bovino. As propriedades paraenses do Opportunity também contabilizam um histórico de casos de trabalho escravo e disputas fundiárias.

FONTE: Portal Vermelho

E A "LIBERDADE DE IMPRENSA" EM HONDURAS?

Por Altamiro Borges

O golpe militar em Honduras comprova, até para os mais tapados, que a tal “liberdade de imprensa” pregada pelos barões da mídia representa, na verdade, a “liberdade dos monopólios”. O discurso das corporações midiáticas é pura hipocrisia. Um jornalista hondurenho já foi assassinado em condições misteriosas; toda a equipe da Telesur, que dava um show na cobertura do trágico episódio, foi presa e expulsa do país pelos gangsteres golpistas; inúmeras rádios comunitárias foram atacadas; a Rede Globo de Tegucigalpa, que nada tem a ver com a Vênus enlameada brasileira, também foi fechada; até a CNN em espanhol foi proibida de exibir as cenas de violência nas ruas, que já causaram dezenas de mortes.

Apesar de toda esta brutalidade fascista, nenhum dos colunistas bem pagos da mídia hegemônica fez declarações inflamadas em defesa da “liberdade de imprensa”; nenhum meio privado criticou a brutal censura e as agressões aos jornalistas; nenhum editorial da “grande imprensa” questionou o fato de que a mídia hondurenha está nas mãos de meia dúzia de oligarcas reacionários, que clamaram pelo golpe e dão total respaldo à ditadura sanguinária. A máfia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que recentemente criticou o presidente Lula por suas “criticas descabidas ao enfoque do noticiário”, não se pronunciou contra os atentados à liberdade de expressão. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), bancada pelo CIA na sua campanha permanente contra a revolução cubana, também está quieta.

Defesa das atrocidades dos golpistas

Segundo relatos da própria Cruz Vermelha, os “gorilas” hondurenhos promovem as piores atrocidades, como invasões de casas, torturas, estupros e assassinatos, e a mídia hegemônica ainda tenta relativizar o papel dos ditadores. A Folha agora passou a qualificar o governo golpista de “interino”. A TV Globo critica o presidente deposto, Manuel Zelaya, por ele rejeitar um acordo de “conciliação nacional” com os bandidos. O Correio Braziliense chegou a justificar o golpe num texto repugnante. Alguns doentes mentais da revista Veja, travestidos de blogueiros, argumentam que a violenta deposição de Zelaya foi para “salvar a democracia”. São todos falsários quando pregam a “liberdade de imprensa”.

Para acompanhar o que de fato ocorre em Honduras é preciso furar o bloqueio dos barões da mídia. A Telesur, retransmitida pela TV Educativa do Paraná e por algumas emissoras comunitárias, continua exibindo cenas da violência dos golpistas e da crescente resistência dos hondurenhos. Pela internet, os sítios da Agência Boliviana de Notícias e o Aporrea, entre outros, trazem informações exclusivas dos movimentos sociais deste país. Na prática, estes veículos alternativos realizam a autêntica defesa da “liberdade de expressão”, enquanto a mídia hegemônica comprova que serve apenas aos interesses dos poderosos e às ambições do império. Seu discurso da “liberdade de imprensa” é puro cinismo!

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

JUSTIÇA ACEITA DENÚNCIA CONTRA DANTAS E MAIS 13 PESSOAS

Por decisão da Justiça Federal em São Paulo, o banqueiro Daniel Dantas, sua irmã, Verônica Dantas, o presidente do Banco Opportunity, Dório Ferman, e mais 11 pessoas ligadas ao grupo viraram réus em novo processo criminal decorrente da Operação Satiagraha. A denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) foi aceita pela Justiça na última quinta-feira (16). A informação foi confirmada pelo Ministério Público.

Nessa denúncia, o procurador Rodrigo de Grandis detalhou sete fatos criminosos praticados nos últimos dez anos pelo banqueiro e pelas demais 13 pessoas. De Grandis apontou os crimes de formação de quadrilha e organização criminosa, gestão fraudulenta (com desvio de recursos da Brasil Telecom para o Opportunity, além de repasse de recursos da Brasil Telecom para as empresas de publicidade de Marcos Valério); três fatos relacionados a lavagem de dinheiro; gestão temerária (com o banco Opportunity desrespeitando regras do Banco Central); e evasão de divisas (permitindo que cotistas brasileiros investissem no Opportunity Fund, mantendo recursos no exterior de forma ilegal).

Uma das suspeitas do Ministério Público é de que o grupo Opportunity, quando estava no comando da Brasil Telecom, teria abastecido o chamado “valerioduto”, como ficou popularmente conhecido o suposto esquema comandado pelo publicitário Marcos Valério, que repassaria dinheiro para parlamentares votarem a favor de projetos de interesse do governo federal. Marcos Valério é um dos réus do processo do mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Dantas foi denunciado na 6ª Vara Federal Criminal pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de formação de quadrilha e organização criminosa. Também viraram réus no processo: Danielle Silbergleid Ninnio, que trabalha na área jurídica do banco; Norberto Aguiar Tomaz, Eduardo Penido Monteiro e Itamar Benigno Filho, diretores do Opportunity; Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresa ligada ao banco; Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, conselheira de diversas empresas do grupo; Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom; Carla Cicco, ex-presidente da Brasil Telecom; Guilherme Henrique Sodré Martins e Roberto Figueiredo do Amaral, lobistas; e William Yu, consultor financeiro.

Segundo o Ministério Público Federal, o juiz também aceitou a abertura de mais três inquéritos da Satiagraha: um para aprofundar a participação de pessoas que foram investigadas inicialmente, mas não foram denunciadas, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh e Carlos Rodenburg, que comanda o braço agropecuário do grupo Opportunity. O segundo inquérito seria para apurar crimes financeiros na aquisição do controle acionário da Brasil Telecom (BrT) pela Oi e o terceiro, para investigar evasão de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman, no Caribe.

No primeiro inquérito resultante da Satiagraha, Dantas já havia sido condenado pelo juiz Fausto De Sanctis a dez anos de prisão por corrupção ativa, pela tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal para ter seu nome excluído das investigações da Operação Satiagraha. Também foram condenados o consultor Hugo Chicaroni e Humberto Braz. As primeiras investigações policiais da Satiagraha foram conduzidas pelo delegado Protógenes Queiroz, sendo depois assumidas pelo delegado Ricardo Saadi.

Por meio de nota, o advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas e o Opportunity, informou que os seus clientes “ainda não foram citados do recebimento da denúncia” e que, independentemente disso, negam “veementemente as imputações recebidas pelo juízo”. Segundo ele, os fatos narrados “são falsos” ou “não constituem crime” e estariam baseados em provas fraudadas da Operação Satiagraha.

Fonte: jornal Estado de Minas

A HUMANIDADE NO MUNDO DA LUA

Armstrong na lua

Por Cléber Sérgio de Seixas


Há exatos 40 anos o homem chegava à lua. A aventura é descrita como um dos maiores feitos da humanidade, só comparável à aventura da descoberta do novo mundo, levada à cabo pelo genovês Cristóvão Colombo. Ao pisar na lua, o astronauta Neil Armstrong disse que se tratava de um pequeno passo para o homem e um grande passo para a humanidade. A aventura da Apolo 11 tem que ser analisada dentro do contexto da corrida espacial em cujos pólos estavam soviéticos e norte-americanos. Também deve ser ressaltado que os projetos de exploração do espaço eram uma vertente menos belicista do processo chamado Corrida Armamentista, que por sua vez foi uma das facetas da Guerra Fria. Sob este prisma, a Corrida Espacial não pode ser dissociada da disputa entre os modelos econômicos capitalista e socialista. Estava em jogo, então, muito mais que quem lançaria mais foguetes, exploraria mais mundos ou enviaria cosmonautas mais longe no espaço.

Os russos saíram à frente na corrida espacial lançando o primeiro satélite artificial, o Sputnik, em outubro de 1957. No mês seguinte, o Sputnik II levava ao espaço o primeiro ser vivo, a cadela Laika, que teria morrido carbonizada no interior do modulo super aquecido. Novamente, a URSS se destacaria na corrida espacial ao enviar ao espaço o cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da Vostok I - a primeira vez que um ser humano ia tão longe.

Vostok I

O programa americano tentou, sem sucesso, rivalizar com o russo nas conquistas. Assim sendo, se os russos tinham conquistado o espaço, restava aos americanos conquistar o nosso satélite natural, a Lua. A resposta dos americanos veio em 20 de julho de 1969. Armstrong e Aldrin foram os primeiros humanos a pisar em solo lunar. Enquanto os emissários da NASA desembarcavam no local lunar conhecido como “Mar da Tranqüilidade”, aqui nesse pequeno planeta habitado, muitos desejavam viver tranqüilos e desfrutando dos mais básicos direitos humanos. Quarenta anos depois, nem sei se podemos falar em direitos humanos para a grande parte dos seres humanos, já que a maioria nem tem garantidos para si os mais básicos direitos animais, como comer, beber e abrigar-se.

Na lua os astronautas norte-americanos deixaram uma placa com os seguintes dizeres: “Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade”. Diante da frase supracitada devemos refletir sobre a suposta propriedade da afirmação. Estariam os norte-americanos, ali representados por alguns astronautas, qualificados para fazer tal afirmação? Se alguém arriscar-se a dizer “sim”, devemos refrescar-lhe a memória dizendo que, já em 1969, os americanos estavam envolvidos até o pescoço numa campanha militar assassina contra um país pobre e infinitamente inferior em termos bélicos e econômicos: a Guerra do Vietnã. Em outras palavras, de que adianta explorar novos mundos, e neles deixar afixados dizeres que evocam a paz, se aqui na terra inexistem paz, justiça social e harmonia? Da mesma forma, baseados em que os norte-americanos ousaram – e continuam ousando - arvorar-se em representantes “de toda a humanidade” ao pisarem na lua? Não deveriam ter reelaborado a frase para afirmar que foram à Lua em nome dos interesses imperialistas de uma nação que se pretende representante de toda a humanidade?

Portanto, sou obrigado a discordar de Armstrong e dizer que a conquista da lua foi apenas um pequeno passo para uma humanidade que ainda nem conseguiu resolver os problemas de seu próprio planeta e, no entanto, sonha em conquistar o espaço. A lua foi conquistada mas a humanidade ainda vive no mundo da Lua.

Finalizo então com as seguintes perguntas: a quem interessa a descoberta de novos mundos? Reproduzir-se-iam em planetas colonizados pelos humanos as mesmas desigualdades que vitimam a maioria esmagadora da população terrestre?

domingo, 19 de julho de 2009

ÓCIO CRIATIVO!

Por Cléber Sérgio

Olá, pessoal! Estou vivo ainda! Fiquei por alguns dias sem postar nada neste blog porque me encontro de férias no sul da Bahia, especificamente na cidade de Prado. O único sinal que consigo aqui com meu Tim Web é uma modesta conexão GSM, ou seja, algo um pouco mais rápido que uma conexão discada.

Apesar deste limite, tentarei manter o blog ativo nestes dez dias que permanecerei neste paraíso natural. Enquanto isto, vou mergulhando nas águas mornas aqui do sul da Bahia e no ócio que tanto bem faz para a criatividade.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

JÔ SOARES E O "CAÇADOR DE MARAJÁS"

Por Altamiro Borges

Nos momentos mais deprimentes das “baixarias na política”, como na atual crise do Senado, Jô Soares sempre leva ao seu programa da TV Globo várias comentaristas globais para espinafrar os políticos e desqualificar a política. São as tais “meninas do Jô”, sempre tão venenosas e cheias de certezas. No programa desta quarta-feira, as jornalistas Cristiana Lobo, Lúcio Hippolito, Lilian Witte Fibe, Flávia Oliveira e Ana Maria Tahan concentraram seus ataques no recente aperto de mão do presidente Lula ao senador Collor de Mello, numa solenidade pública em Alagoas. Para elas, travestidas de vestais da ética, este gesto seria a prova definitiva de que política não presta.

As “meninas do Jô” só deixaram da lembrar aos telespectadores sem memória que a candidatura de Collor de Mello, em 1989, foi fabricada nos sinistros laboratórios da própria TV Globo. Elas inclusive evitaram utilizar a expressão “caçador de marajás”, cunhada na época para alavancar o político alagoano e evitar a vitória de Lula, o temido líder grevista daquele período. Elas também nada falaram sobre a manipulação grosseira feita pelo Jornal Nacional da edição do debate entre os dois candidatos, nas vésperas daquele pleito. E ainda omitiram a informação de que a família de Collor de Mello ainda é proprietária da empresa afiliada da TV Globo em Alagoas.

Anarquista ao gosto do patrão

Diante das baixarias da famíglia Marinho, o recente aperto de mão é apenas um gesto protocolar! Com seu humor tendencioso, Jô Soares nunca cobrou qualquer autocrítica de seus patrões. Além das “meninas do Jô”, ele poderia ouvir o professor Venício de Lima, que no livro “Mídia: crise política e poder no Brasil” desmascara as manipulações da TV Globo na eleição do “caçador de marajás” e em outros episódios lamentáveis da nossa história recente. Também poderia convidar o professor Bernardo Kucinski, que no livro “A síndrome da antena parabólica” denuncia o total colapso da ética na mídia brasileira e o papel nefasto da famíglia Marinho na política nacional.

Até algum tempo atrás, Jô Soares ainda seduzia muita gente. Na época da ditadura, que contou com o apoio ativo da TV Globo até a reta final da campanha das “Diretas-Já”, ele fez um humor corajoso de denúncia da censura e dos militares. Após a conquista da democracia liberal, ele se deu por satisfeito e nunca mais incomodou os poderosos e os barões da mídia. Maroto, ele vestiu a oportuna fantasia do “anarquista”. O falecido professor Maurício Tragtemberg, um intelectual anarquista autêntico, costumava zombar destes anarquistas “riquinhos”, que fazem suas críticas comportamentais, mas não tem qualquer compromisso com a justiça social.


Publicado originalmente no blog do Miro

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O ESPIRRO EM HONDURAS E O RESFRIADO NA AMÉRICA LATINA

Por Renato Rovai

Não sou adepto de teoristas conspirativas, mas como dizia o Brizola, se tem dente de jacaré, pele de jacaré, boca de jacaré, só pode ser jacaré.

A manutenção do golpismo em Honduras é uma séria ameaça aos governos progressistas na América Latina, em especial a de países menos centrais como El Salvador, Nicarágua, Paraguai e Bolívia.

Pelo que percebi ontem no debate realizado pelo Cebrapaz no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, onde dividi a mesa com os colegas Gilberto Maringoni e José Reinaldo Carvalho, muitos pensam como eu, inclusive os dois citados.

A questão é simples. A direita truculenta organizada pela doce mídia latino-americana busca desde 11 abril de 2001 (quando Hugo Chávez foi seqüestrado e retirado à força de Miraflores) reativar o golpismo no Continente.

Foram várias as tentativas na mesma Venezuela, como também na Bolívia, onde os conflitos de rua mataram dezenas. No Brasil, em outras proporções, em 2005 um ex-presidente da República chegou a propor que o atual assumisse que não seria candidato à reeleição para que pudesse terminar o seu então primeiro mandato.

Mais recentemente, no Paraguai, até a fertilidade do atual governante deu combustível para que se tentasse articular seu impeachment.

Em Honduras, o impeachment não é possível constitucionalmente. Por isso, a turma do Continente que gosta do porrete e que conta com “simpáticos” intelectuais como Mario Vargas Llosa preferiu seqüestrar o presidente e mandá-lo de pijamas para Costa Rica.

Agora, um “acordo” é apresentado pelos golpista com a anuência da Igreja e da doce mídia local. O presidente constitucional Manuel Zelaya se entregaria à Justiça do país e neste caso poderia lhe ser oferecida uma anistia. Mas nada de volta à presidência. Isso os golpistas julgam inconstitucional. Entenderam?

É como se alguém assaltasse sua casa, estuprasse sua mulher, matasse seus filhos e depois seu vizinho chamasse você e o assassino para conversar na casa dele. Buscando um acordo para que você pudesse andar pelo bairro de cabeça baixa. Nada de voltar pra casa. Nada de punição aos bandidos.

É um escândalo odioso. Mas mesmo assim a solução começa a ganhar adesões em nome de uma suposta paz. Como o calendário é favorável aos golpistas que já falam em antecipar as eleições que estavam marcadas para 29 de novembro próximo, o golpe pode acabar sendo um sucesso. Se isso vier a acontecer, a retomada democrática no Continente pode sofrer seu primeiro grande revés. E nada nos garante que isso que parece um espirro localizado possa vir a se tornar um longo resfriado continental.

Se eu fosse presidente do Brasil, chamaria o Itamaraty e exigiria que me apresentasse várias possibilidades de ações mais duras contra esse golpe. Ações que pudessem ser desencadeadas a partir da próxima semana.

O colega Maringoni falou de um bloqueio a Honduras. Não tenho convicção a respeito dessa solução. Como diz meu vizinho de sala e editor executivo da Fórum, Glauco Faria, condenamos essa solução em Cuba. Não devemos defendê-la contra outros povos.

Afinal, quem vai sofrer suas conseqüências não é apenas Micheletti, a Igreja e a doce mídia de lá. Também não defendo a invasão do país por tropas externas. Mas ao mesmo tempo algo precisa ser feito. Com urgência.

Honduras é um pequeno país, mas pode ser um bom exemplo para que essa corja se anime a fazer o mesmo Continente afora. E essa corja é uma corja.

Clique aqui e vá ao blog do Rovai

terça-feira, 14 de julho de 2009

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM PONTO

Abrigos da BHTRANS: mais para poleiros que para assentos



Por Cléber Sérgio de Seixas



A BHTRANS acaba de criar um novo tipo de abrigo de ônibus que entra em cena com a promessa de informar mais o usuário sobre o trajeto e horários das linhas. Trata-se do Infoponto. O serviço promete beneficiar mais de 1.300.000 usuários, informando-os através de mapas esquemáticos, quadros de freqüência e de itinerário, impressos em placas de material plástico no formato A3.



Uma coisa muito importante, contudo, parece ter sido desconsiderada: o conforto de quem for esperar o balaio chegar. Neste novo desenho clean, o assento do abrigo perdeu o encosto, ficou mais alto, dificultando a vida dos idosos e dos de menor estatura, e ganhou um formato roliço que lembra aqueles locais onde os antigos amarravam seus cavalos. Se dermos asas à imaginação, poderemos enxergar até um poleiro. A questão crucial é que ponto de ônibus foi feito para gente, não para cavalos ou aves. O novo modelito de abrigo de ônibus promete muito desconforto àqueles que contarem com seus serviços.



É difícil entender a proposta de quem desenhou o novo abrigo. Será que a BHTRANS confia tanto na pontualidade e rapidez dos coletivos, sob o novo sistema, a ponto de dispensar um abrigo de ônibus mais confortável? Se o balaio não tardasse e não faltasse, até que a idéia seria interessante, mas sabemos como é o sistema de transporte coletivo em Belo Horizonte e região metropolitana. Imagine se esta moda pegar nos pontos de ônibus cujas linhas são gerenciadas pelo DER – verdadeiros elefantes brancos que costumam passar em intervalos de tempo enormes?



A reflexão a que somos induzidos é que a empresa de gerenciamento de transporte público de BH se rendeu a um pragmatismo que só é interessante aos fabricantes de abrigos de ônibus e mandou às favas o conforto daqueles que sofrem esperando os coletivos passarem.



Enquanto o coletivo não vem, vamos ver como será a receptividade da população aos novos poleiros, isto é, abrigos, que a BHTRANS está implantando. Quem sabe não ficaremos saudosos ao lembrar de quando, nos pontos de ônibus, nos assentávamos, recostávamos, dormíamos, puxávamos um papo com o vizinho de banco – talvez alguns casamentos tenham começado assim – aguardando o lotação. Lembraremos dos tempos quando no meio do caminho do ônibus tinha um ponto.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

VICE DE BUSH OMITIU DADOS DE PROGRAMA ANTITERRORISTA

Washington – O ex-vice-presidente americano Dick Cheney é alvo de uma avalanche de críticas por parte de parlamentares democratas, depois das revelações feitas pela imprensa de que ele teria ordenado à CIA que ocultasse do Congresso a existência de um programa antiterrorista. A senadora democrata Diane Feinstein disse ontem, em entrevista ao jornalístico de TV Fox News Sunday, que a informação foi dada aos congressistas pelo atual diretor da CIA, Leon Panetta, que afirmou ter cancelado o programa. Segundo o jornal The New York Times, Panetta teria dito, na ocasião, que a CIA havia “ocultado do Congresso durante oito anos informações sobre um programa antiterrorista sob a ordem direta do ex-vice-presidente”. Cheney, ardente defensor dos controvertidos métodos da administração George W. Bush na “guerra contra o terrorismo”, aparentemente também seria um adepto fervoroso da manutenção de segredos.

Nomeado à chefia da CIA pelo atual presidente Barack Obama, no início do ano, Panetta deu fim a esse programa depois de conhecê-lo, em 23 de junho, e revelou o papel de Cheney aos comitês de inteligência do Senado e da Câmara de Representantes no dia seguinte. A natureza exata desse dispositivo, no entanto, ainda é incerta. Dois antigos membros da CIA explicaram ao Washington Post que ele consistia em dotar a agência de inteligência de “meios necessários”, que não se tratavam nem de interrogatórios de suspeitos de terrorismo nem de escutas telefônicas não autorizadas, métodos muito criticados nos Estados Unidos.

Comissões A lei americana estipula que as comissões de inteligência do Congresso devem ser plena e regularmente informadas sobre as práticas dos serviços secretos, com exceção de alguns casos. “A questão é saber se o ex-vice-presidente se recusou a dar certas informações sensíveis aos parlamentares do Congresso responsáveis pelas questões da inteligência. Isso não é aceitável”, afirmou à emissora CNN o influente senador democrata Kent Conrad.

A representante Anna Eshoo, membro da comissão de inteligência da Câmara, indicou que um consultor independente será designado para estudar o assunto. “Temos de saber quem deu essa ordem, quem ordenou a ocultação”, afirmou, falando ao Washington Post. Um senador do próprio campo de Cheney, o republicano Judd Gregg, admitiu que se tratou de um erro caso essa ordem de ocultação tenha sido mesmo dada à CIA.

Essas revelações ocorrem no momento em que os parlamentares americanos travam batalha para saber se a CIA informou como devia ao Congresso sobre os programas sensíveis articulados para lutar contra o terrorismo. A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, acusou a administração Bush e a CIA de ter induzido o Congresso a erro em 2002-2003, ao dar a entender que a simulação de afogamento não era usada no interrogatório de suspeitos. Ela foi acusada pelos republicanos de estar a par em 2002 desse tipo de técnica de interrogatório e não ter protestado, apesar de na ocasião pertencer à comissão de inteligência da Câmara.

Disputa com o novo governo

Desde a posse do presidente Barack Obama, em 20 de janeiro, Cheney vem se envolvendo cada vez mais em uma disputa com o novo governo sobre os procedimentos de interrogatório da CIA que arruinaram a reputação dos Estados Unidos ao redor do mundo. Uma das primeiras atitudes de Obama como presidente foi exigir tratamento mais humano para os suspeitos de terrorismo. O atual diretor da CIA, Leon Panetta, prometeu não permitir práticas de interrogatório coercivas, prisões secretas ou a transferência de terroristas suspeitos para países que podem usar tortura. O senador Jeff Sessions, do Partido Republicano, o mesmo de Cheney, disse achar que o incidente será investigado. No entanto, afirmou: “Não sei quais são os fatos. Mas acredito que o vice-presidente Cheney serviu ao país com o máximo de fidelidade que poderia. E ele tentou nos servir de modo efetivo. Espero que nada disso tenha impacto na sua carreira”.

Fonte: jornal Estado de Minas - 13/07/2009

"NUNCA ACREDITEI NO FRACASSO"

Da redação da revista Carta Capital

No dia 7 de setembro, durante as comemorações do 187º aniversário de Independência do Brasil, o delegado Protógenes Queiroz vai se filiar a um partido político e se preparar para concorrer, em 2010, a uma vaga na Câmara dos Deputados. Em estado de graça desde a apresentação da nova denúncia contra o banqueiro Daniel Dantas, em 6 de julho, a dois dias do primeiro aniversário da Operação Satiagraha, Queiroz decidiu reforçar o número de viagens e palestras (mais de cem, em um ano) que faz país afora. Sobretudo depois de ter sido afastado da Polícia Federal, em abril, sob a acusação de “participação em atividade político-partidária”, por ter subido no palanque, em setembro de 2008, no comício de um candidato do PT à prefeitura de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Na quarta-feira 8, enquanto se preparava para participar de um evento contra a corrupção no Rio de Janeiro, Protógenes Queiroz falou, por telefone, à CartaCapital.

CartaCapital: O senhor foi afastado, primeiro, do comando da Operação Satiagraha, depois, das funções de delegado. Em algum momento, achou que aquele trabalho de investigação iria fracassar?
Protógenes Queiroz: Nunca acreditei que todo o esforço de investigação da Satiagraha, ao longo de quatro anos, fosse fracassar. Sempre acreditei na capacidade técnica dos meus companheiros da Polícia Federal, apesar de muitos lá dentro terem sofrido os mesmos problemas que sofri.

CC: Que problemas?
PQ: Principalmente de remoção de efetivos, de diminuição de agentes e de pessoal para analisar as informações. Mas, como se viu, isso foi superado.

CC: Como o senhor recebeu a notícia da denúncia formulada pelo procurador Rodrigo De Grandis, do Ministério Público Federal de São Paulo, contra Daniel Dantas e outras treze pessoas ligadas ao Opportunity?
PQ: Isso me deu um sentimento de dever cumprido. Não só para mim, mas para toda a sociedade brasileira, porque ficou claro que, depois da Operação Satiagraha, não há mais espaço para corruptos e corruptores no Brasil. Por isso, é importante mostrar que esse trabalho foi levado adiante para o bem do País. A denúncia do Ministério Público reafirma e confirma o conteúdo de todos os dados coletados pela Operação Satiagraha, ao longo de quatro anos.

CC: O que o senhor achou de mais importante na denúncia do MP?
PQ: Um ponto muito importante será a abertura de um inquérito policial para investigar a unificação da Brasil Telecom com a Oi (a BrOi). Todo esse processo de unificação foi fraudado, conforme se apurou durante a Satiagraha e pode ser constatado por documentos e pelos e-mails trocados entre os envolvidos. As provas coletadas pela Satiagraha demonstram a existência de esquemas de caixa 2 e transferência de cotas societárias entre empresas que não existem. Enfim, um esquema criminoso paralelo comandado pelo banqueiro condenado Daniel Dantas.

CC: Por que esse inquérito não foi aberto antes pela Polícia Federal?
PQ: Não sei. Mas eu pedi a abertura dele há um ano, com todas as provas que agora estão aí apresentadas pelo Ministério Público. Acho que a PF fez uma avaliação primária do caso, deu prioridade a outros fatos. Poderia ter tocado esse inquérito paralelamente, mas não fez. Foi preciso o MP tomar essa iniciativa.

CC: É possível, com essa denúncia, descobrir se houve, de fato, fraude na unificação das teles?
PQ: O Ministério Público aproveitou, integralmente, todos os dados coletados pela Operação Satiagraha. Com isso, não deu espaço para a defesa de Daniel Dantas alegar inconsistência da investigação ou das provas. São dados que revelam completamente um esquema criminoso muito bem montado.

CC: O que mais se pode esperar da Operação Satiagraha?
PQ: O Ministério Público pediu a abertura de mais três inquéritos, isso com todo o material coletado durante a operação. O que vem pela frente, não tenha dúvida, é que vão aparecer nomes de altas autoridades da República e de políticos. Também vai ficar claro o envolvimento de partidos políticos no esquema de Daniel Dantas. Está tudo no HD (disco rígido) apreendido pela Operação Chacal (em 2004, no computador central do Opportunity, no Rio).

CC: E a qual partido político o senhor vai se filiar, afinal?
PQ: Ainda não me decidi, até porque o quadro político-partidário no Brasil é uma tragédia. Mas será em um partido que possa reconhecer a importância da minha luta e a dimensão do que isso significa, hoje, no Brasil.

sábado, 11 de julho de 2009

GOLPES TELEGUIADOS

Por Cléber Sérgio de Seixas



O golpe de Estado em Honduras pegou muita gente de surpresa, inclusive este que vos escreve. Apesar do espanto inicial, depois fui refletir com meus botões, fazendo um retrospecto da história recente da América Latina, e cheguei à conclusão que as democracias deste imenso continente são ainda muito jovens. No caso do Brasil, desde a proclamação da República, passamos por ciclos de democracia e ditadura. Iniciamos com alguns generais guiados pelo ideário positivista; seguiu-se um período comandado pelos barões do café com leite; passamos pelo período ditatorial de Vargas, depois por uma democracia mais prá lá do que pra cá durante o governo Dutra; elegemos o mineiro JK, seguido de Jânio; fomos traídos pelos militares, em cujas garras ficamos por 21 anos, e agora nossa jovem democracia sopra 24 velinhas. É muito pouco tempo se compararmos com as democracias européias.

Sempre que um governo se mostra progressista demais – entenda progressista aqui como um governo voltado aos interesses da maioria, ou seja, o oposto de conservador – alguma medida para desestabilizá-lo será tomada. Vejam, por exemplo, o caso de João Goulart. Quando era ministro do trabalho no segundo governo Vargas, Jango duplicou o valor do salário mínimo, o que lhe valeu a ira dos coronéis. Figurinha carimbada, Jango nunca mais conseguiria governar em paz. Com a renúncia de Jânio Quadros, a vacância do cargo seria ocupada, logicamente, pelo vice, Jango. Porém ele se encontrava em visita à China, visita cujo intuito era abrir mais nosso leque de parceiros comercias, livrando-nos do semi-monopólio com os EUA. Não fosse Leonel Brizola, Jango não teria sido empossado como presidente da nação. Era um ensaio para um golpe futuro. Nos anos que se seguiram, o governo Goulart sofreu toda sorte de ataques e tentativas de sabotagem por parte dos adversários. O golpe de misericórdia veio no fatídico 1º de abril de 64.



Em entrevista à revista Veja (9 de março de 1977), 13 anos após a quartelada tupiniquim, o ex-embaixador Lincoln Gordon, questionado se os americanos haviam repassado dinheiro aos militares brasileiros golpistas, disse, textualmente, o seguinte: “Que diabo, isso era mais ou menos um hábito, naquele período... Portanto, a idéia de ter essa caixinha para despesas políticas apareceu e se desenvolveu, como ficou claro em outros casos, como no Chile. A CIA estava acostumada a ter fundos políticos. Tudo começou na Itália, em 1948, quando dinheiro americano ajudou o fortalecimento da democracia-cristã. Certamente foi mais de 1 milhão de dólares, e eu não ficaria surpreso se tivesse chegado a 5 milhões de dólares”. Veja, caro leitor, que o ex-embaixador confessa que auxílio financeiro fora prestado aos opositores do presidente democraticamente eleito Salvador Allende.

Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, assim apresenta a questão em sua magistral obra As Veias Abertas da America Latina: “As atas do Congresso dos Estados Unidos costumam registrar testemunhos irrefutáveis acerca das intervenções na América Latina. Corroídas pelo ácido da culpa, as consciências realizam sua catarse nos confessionários do Império... Amplas confissões públicas têm provado, entre outras coisas, que o governo dos Estados Unidos participou diretamente, mediante suborno, espionagem e chantagem, na política chilena. A estratégia do crime foi planejada em Washington. Desde 1970 que Kissinger e os serviços de informação preparavam cuidadosamente a queda de Allende. Milhões de dólares foram distribuídos entre os inimigos do governo legal da Unidade Popular. Assim é que, por exemplo, puderam sustentar sua longa greve os proprietários de caminhões, que em 1973 paralisaram boa parte da economia do país. A certeza de impunidade solta as línguas”.



Mais adiante, no mesmo livro, Galeano revela que mesmo após o Congresso dos EUA ter desistido da política de auxílio econômico e militar a regimes golpistas, a ajuda econômica ainda prosseguiu sem a aprovação do congresso, ou seja, continuou “por debaixo dos panos”. Assim, o general Pinochet recebeu, durante o ano de 1976, 290 milhões de dólares sem autorização parlamentar. Da mesma forma, a junta militar que assumiu o poder na Argentina, em seu primeiro ano de vida, recebeu 500 milhões de dólares de bancos privados norte-americanos e 415 milhões do Banco Mundial e do BID. Outro exemplo clássico foi o escândalo Irã-Contras, um esquema ilegal de venda de armas para o Irã com o intuito de angariar proventos para financiar a guerrilha anti-sandinista na Nicarágua.

Portanto, caros amigos, não se surpreendam quando muitos disserem por aí que por detrás dos golpistas hondurenhos estão escusos interesses norte-americanos. O simples fato de um negro estar ocupando a cadeira de presidente dos EUA não mudaria o modus operandi do governo daquela nação. Creio que engana-se quem acha que o democrata de Illinois, quadragésimo quarto presidente dos EUA, será um divisor de águas na política externa daquela nação. Sua tímida censura aos golpistas hondurenhos pode encobrir fatos execráveis escondidos nos obscuros bastidores do intervencionismo norte-americano. Os golpistas hondurenhos não são autodidatas, tal como não eram os golpistas brasileiros em 64, os que apearam Allende do poder em 73, os contra-revolucionários na Nicarágua sandinista dos anos 80 e tantos outros de triste memória.



Conforme alguns analistas já pronunciaram, o golpe hondurenho abre um precedente ruim para a América Latina, na medida em que serve de ensaio a outros futuros. A reativação da Quarta Frota foi um recado eloqüente aos governos progressistas e populares – na melhor acepção da palavra – que hoje estão no poder na América Latina.



Enquanto a Europa bandea-se à direita, a América Latina ruma ao Socialismo do século XXI, capitaneado por governantes como Hugo Chávez, numa ponta, e Lula em outra – estilos diferentes, conflitantes às vezes, mas que, cada um a sua maneira, buscam dar novos rumos à política deste pedaço de continente cuja tradição sempre foi ser espoliado pelas nações hegemônicas de plantão. No caso do Brasil, já fomos colônia de Portugal, financiadores da Revolução Industrial inglesa e satélite gravitando em torno dos interesses dos Estados Unidos, de quem estamos, ainda, sob as barbas. Hoje, apesar de toda a corrupção envolvendo nossa política, podemos dizer que a classe operária brasileira está a alguns passos do paraíso. No entanto, é necessário vigilância, sobretudo por parte das esquerdas, já que as viúvas da ditadura ainda perambulam por aí, disfarçadas, andando ao redor da presa, desejosas do retorno do tempo em que o bolo crescia e só elas abocanhavam-lhe os pedaços. Assim, urge manter fresca a memória e levantar as barricadas da resistência e da cidadania a fim de evitar que eventos funestos, tal como o golpe de Estado em Honduras, voltem a ocorrer nas terras latino-americanas.